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Europa

Morre o arquiteto Ieoh Ming Pei, autor da monumental e polêmica pirâmide do Louvre 

media Turistas em frente à pirâmide do Louvre, projetada pelo arquiteto sino-americano Ieoh Ming Pei, em Paris. REUTERS/Charles Platiau

O arquiteto sino-americano Ieoh Ming Pei, conhecido por assinar o projeto da pirâmide do Louvre, em Paris, faleceu nesta quinta-feira (16), aos 102 anos O anúncio foi feito pelo Pei Partneship Architects, o escritório de arquitetura dos seus filhos, em Nova York. A notícia do falecimento fez rememorar a polêmica em torno do seu projeto no coração da cidade, que dividiu – e é provável que ainda divida, 30 anos depois de inaugurada – franceses progressistas e conservadores.

A ideia da pirâmide atenderia a uma demanda gerada pelo governo francês em abril de 1985. Quatro anos depois, em 29 de março de 1989, era inaugurada a imensa estrutura em vidro, com 21 metros de altura e 34 metros de base, em pleno Palácio dos Reis da França. E a parte aparente da instalação triangular seria apenas a ponta visível de um iceberg no centro do projeto de Ieoh Ming Pei.

“Ele nos pediu para visualizar no espaço, por meio dos cabos suspensos, o que a pirâmide representaria, e nós o fizemos. E as pessoas se deram conta de que o nosso projeto era instalar ali a pirâmide de Quéops”, lembra Jack Lang, presidente do Instituto do Mundo Árabe e ministro da Cultura na época, em entrevista à emissora France 3. “Antes, quando se visitava o Louvre, o caminho não parecia tão acessível. Então Pei propôs instalar a pirâmide na entrada principal, cobrindo toda essa área de acesso.”

Obra cristaliza divisões políticas

“Havia um clima político particular, um enfrentamento muito intenso entre a esquerda e a direita, mas nós estávamos convencidos. A polêmica nos fortaleceu”, completa.

Na ocasião da inauguração, o então presidente François Mitterrand endossava a escolha de um projeto tão audacioso. “Uma política cultural é a base de todas as outras políticas. É preciso que os franceses se encontrem em sua história, na sua arte, no seu passado, para que conheçam melhor sua ambição do futuro”, afirmou.

“Visivelmente, há um corredor de um quilômetro que cerca, no sobsolo, um conjunto do Palácio do Louvre, o que permite um roteiro das obras de arte. É uma verdadeira revolução arquitetural. É incontestável”, enfatiza Françoise Mardrus, diretora do Centro de Pesquisas Denon, que estuda a história do museu.

Vencedor do Prêmio Pritzker, em 1983, considerado o Prêmio Nobel da Arquitetura, Ieoh Ming Pei se diferenciava por reunir conceitos modernos e do classicismo em seus projetos reconhecidamente ousados, a exemplo da sua intervenção no museu parisiense.

“O nome de Ieoh Ming Pei ficará para sempre associado à pirâmide do Louvre, a sua audaciosa simplicidade e a sua transparência elegante. Em todo o mundo, ele nos deixa grandes obras de arte da arquitetura. Eu penso hoje em seu filho e seus familiares”, declarou o ministro da Cultura Franck Riester.

“Uma arquitetura que perdure deve ter raízes”

“Os arquitetos contemporâneos tendem a impor a modernidade às coisas. Existe um pouco de preocupação com a história, mas não muito profunda”, declarou Ming Pei em uma entrevista ao New York Times, em 2008. “Eu entendo que as coisas mudaram, evoluíram. Mas eu não quero esquecer o início. Uma arquitetura que perdure deve ter raízes.”

Nascido em 26 de abril de 1917, em Cantão, em uma antiga família originária de Suzhou, conhecida como a “Veneza do Oriente”, próximo à Shangai, Ieoh Ming Pei mudou-se para os Estados Unidos em 1935, conseguindo o diploma do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e, em seguida, o diploma de design na Universidade de Harvard (1948), onde seria aluno de Walter Gropius, fundador da Bauhaus e um dos teóricos do estilo internacional.
Sucesso nos Estados Unidos e na França

Naturalizado americano em 1954, Ming Pei seria, sucessivamente, professor assistente em Harvard (1945-1948) e diretor de arquitetura do escritório Webb and Knapp (1948-1955), antes de fundar seu próprio escritório, o I. M. Pei e Associados, em 1955.

A construção do Mile High Center (1956), em Denver, no Colorado, foi a primeira grande encomenda de uma extensa série, que incluiria o Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas em Boulder, também no Colorado, em 1967, e a John Hancock Tower, em Boston, em 1973.

Nos anos 1970, seu escritório conquistou grande sucesso não somente nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. Foram realizados por ele o projeto da prefeitura de Dallas, no Texas (1978), a Biblioteca J. F. Kennedy, em Boston (1982), o Hotel Xiangshan, em Pequim (1983), o Centro de Congressos e Exposições, em Nova York (1985), a National Gallery of Arte de Whashington, e o Banco da China, em Hong Kong (1989).

François Mitterrand

Quando o então presidente francês François Mitterrand convidou o arquiteto para repensar o complexo do Museu do Louvre, ele ainda era relativamente desconhecido na França.

O arquiteto também deixou sua marca em Berlin, na Alemanha, ao construir um anexo ao Museu Histórico Alemão – inaugurado em 2003 –, e em Doha, no Qatar, onde idealizou o Museu de Arte Islâmica.

Durante sua carreira, Ieoh Ming Pei conquistou alguns dos prêmios mais prestigiosos da sua área de atuação. Além do Pritzker, ele recebeu a Medalha de Ouro do Instituto Americano de Arquitetura (1979) e a Grande Medalha de Ouro da Academia Francesa de Arquitetura (1981).

Dois presidentes atribuíram honras ao arquiteto: George H. W. Bush lhe concedeu a medalha presidencial da Liberdade (1992), a mais alta distinção civil, e François Mitterrand os emblemas de oficial da Legião de Honra (1993).
 

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