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Europa

Salvini e Orbán querem cooperar para impor política anti-imigração no bloco europeu

media Matteo Salvini e Viktor Orbán (d) se reuniram em Budapeste e mostraram convergências sobre a questão da imigração na União Europeia REUTERS/Bernadett Szabo

O primeiro-ministro nacionalista húngaro, Viktor Orbán, e o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, de extrema direita, se reuniram nessa quinta-feira (2) em Budapeste. Eles se mostraram dispostos a cooperar em uma política comum anti-imigração após as eleições europeias do final de maio.

Adriana Moysés, enviada especial à Budapeste

Apesar de pertencerem a grupos distintos no Parlamento Europeu, o italiano e o húngaro afirmaram ter uma posição comum sobre a questão dos imigrantes no bloco. Até março, a legenda de Orbán, a Fidesz (Aliança dos Jovens Democratas), estava dentro da bancada do Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita. Mas o premiê foi suspenso depois de fazer declarações excessivamente criticas à Comissão Europeia. Já a Liga, sigla de Salvini e integrante do grupo de extrema direita Europa das Nações e Liberdades (ENL), busca atrair Orbán para o seu lado.

“Procuramos claramente uma cooperação com Salvini, cuja forma ainda deverá ser definida”, declarou o premiê ultraconservador durante uma entrevista coletiva conjunta. “Estou convencido de que a Europa precisa de uma aliança dos partidos anti-imigração”, completou.

Número dois e verdadeiro líder do governo italiano, Salvini já é aliado da extrema direita francesa e tenta reunir o máximo de forças ultraconservadores para formar “o grupo mais importante” do Parlamento Europeu após as eleições de 26 de maio. Como não pode se unir oficialmente a Orbán antes do pleito, o italiano ressaltou sua vontade de trabalhar com o líder húngaro no futuro Parlamento em Estrasburgo. “Pela primeira vez na história da União Europeia, uma nova maioria pode ser formada deixando de lado o PPE e os socialistas”, insistiu Salvini.

Orbán propôs ao PPE uma “cooperação com partidos anti-imigração”, mas diante da recusa dos pró-europeus em fazer concessões aos populistas, o premiê húngaro tem multiplicado os sinais de que poderá se articular com Salvini. O PPE já advertiu que se Orbán bater a porta, não haverá caminho de volta. “Seria preferível para a Europa que não seja Macron, e sim Orbán e Salvini que estejam no comando” sobre o controle das fronteiras, martelou o líder húngaro.

O político nacionalista trata esta eleição como um divisor de águas e coloca pressão nos antigos aliados, apesar de analistas não acreditarem que ele irá deixar de vez o PPE. Os partidos de extrema direita xenófobos irão aumentar sua presença e influência no Parlamento, mas ainda ficarão com cerca de 25% dos assentos ou um pouco mais, segundo projeções, o que é insuficiente para ameaçar o bloco. Por outro lado, a migração de votos da direita para a extrema direita irá obrigar o PPE a formar alianças formais ou informais com liberais, socialistas e verdes, dependendo do tema em votação.

Propaganda baseada no medo

Enquanto Salvini e Orbán discutiam uma eventual cooperação, a eurodeputada Kinga Gál, que disputa um quarto mandato pela sigla de Orbán, dizia a simpatizantes da Fidesz reunidos num centro cultural da periferia de Budapeste que a questão imigratória é o tema “central” desta campanha.

Os parlamentares da Fidesz Kinga Gál e Szolt Néméth. Foto: RFI

“Em relação a eleições anteriores, a gente vê que existe uma linha separando dois campos distintos: de um lado aqueles que são contra a imigração no país, como é o nosso caso, e do outro aqueles que defendem uma sociedade multicultural na União Europeia, com fronteiras abertas, onde é preciso dar boas-vindas à imigração ilegal”, exagerou a eurodeputada da Fidesz. “Nós vamos dizer que é preciso defender as fronteiras europeias, excluir o maior número possível de imigrantes e tentar defender a nossa cultura europeia”, enfatizou a parlamentar, que é vice-presidente da Comissão de Liberdades Civis, Justiça e Interior do PPE.

O partido nacionalista e ultraconservador do primeiro-ministro húngaro faz uma campanha descrita por especialistas como uma verdadeira “lavagem cerebral”, por apresentar os imigrantes como inimigos à sobrevivência da população europeia.

Desde que voltou ao poder em 2010, Orbán trabalha na construção de uma nova imagem identitária para a Hungria. Ele transformou o país libertado do jugo comunista em uma "nação de raízes cristãs" e portadora de uma "história milenar”, apegada a costumes tradicionais. Os discursos de Orbán são pontuados por referências a essa suposta identidade cristã da Hungria e às dificuldades intrínsecas de assimilação dos imigrantes, sobretudo mulçumanos, nessa sociedade.

Simpatizantes da Fidesz se reuniram em centro cultural da periferia de Budapeste para ouvir propaganda do partido nacionalista contra a imigração na Europa. Foto: RFI

Os “santinhos” de campanha da Fidesz trazem os sete pontos que o partido defende para a próxima legislatura europeia: “os governos nacionais devem ser responsáveis pela gestão de sua política migratória e não os burocratas europeus; nenhum país deve ser obrigado a acolher imigrantes; nenhuma pessoa deve entrar na Europa sem documentos válidos; acabar com a concessão de vistos para “migrantes”; Bruxelas deve reembolsar a Hungria pelo muro de proteção construído ao longo da fronteira com a Sérvia, de 175 km de extensão, e não deve financiar as universidades de George Soros (o bilionário húngaro-americano apontado como “responsável” pela chegada dos migrantes); ninguém pode ser discriminado pela sua fé na Europa; e, para encerrar, os dirigentes anti-imigração devem estar na cúpula das instituições europeias.

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