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Extrema direita entra no parlamento espanhol pela primeira vez desde o fim do franquismo

Extrema direita entra no parlamento espanhol pela primeira vez desde o fim do franquismo
 
PSOE vence eleições na Espanha, mas precisará de alianças para governar REUTERS/Jon Nazca

Os espanhóis decidiram não decidir.  Na terceira eleição legislativa nos últimos três anos, nenhum bloco político tem condições de formar um governo majoritário duradouro. Sem dúvida, o Partido Socialista foi o primeiro colocado, mas não basta para governar.

O bloco de esquerda, junto com a esquerda radical populista do Podemos, está pau a pau com as formações da direita – os liberais do Ciudadanos, os conservadores tradicionais do Partido Popular e o neonato Vox de extrema-direita. Aliás, a grande novidade foi o resultado do Vox: pela primeira vez desde o fim do franquismo, a direita mais radical e nacionalista vai ter uma bancada no Parlamento espanhol.

Essa ultradireita, que fez uma campanha aberta por um Estado espanhol unitário e contra o independentismo catalão, foi também responsável pela impressionante debacle eleitoral do Partido Popular conservador.

Portanto, fora um pouco provável acordo entre socialistas e liberais, um governo só vai ser possível com a participação das pequenas bancadas dos partidos nacionalistas ou autonomistas locais, catalães ou bascos. Um verdadeiro saco de gatos.

Enquanto isso, ninguém tem condições para tentar resolver os grandes problemas urgentes como os pesados problemas sociais e sobretudo a questão da reforma do pacto territorial nacional ameaçado pelos independentistas catalães. Já tem até comentaristas espanhóis vaticinando que em pouco tempo, o povo vai ter que voltar às urnas.

Fragmentação política em toda a Europa

A Espanha não está sozinha. Entra eleição sai eleição, o resultado é cada vez mais fragmentação política. Na Europa inteira, mas também em várias outras regiões do mundo. Como se fosse quase impossível encontrar um consenso nacional – ou até uma maioria – capaz de enfrentar os desafios imediatos colocados pelas profundas revoluções, econômica e da comunicação, do mundo contemporâneo.

Não quer dizer que os cidadãos não acreditem mais na política (na Espanha houve até uma participação recorde). A desconfiança crescente é contra os políticos, sistematicamente acusados de corruptos e incompetentes. Hoje, governar tornou-se uma tarefa impraticável.

Sobretudo nos Estados democráticos. Todo candidato ao poder já sabe de antemão que a oposição e as críticas virulentas vão se manifestar rapidamente. E que as populações, desesperadas diante de tantos problemas sem solução, e “esquentadas” pelas redes sociais, estão cada vez mais prontas a queimar os ídolos que adoravam na véspera.

Hoje em dia, só se respeita os primeiros “100 dias” de um novo governo. Começam logo a surgir campanhas rancorosas para derrubá-lo se não aparecerem soluções concretas imediatas. A democracia representativa precisa de tempo: um dirigente legitimado pelo voto popular tem que poder dispor do seu mandato para realizar um programa. Só que na era da Internet et do WhatsApp, esse tempo encolheu perigosamente.

A política se transforma num motim permanente – às vezes virtual, às vezes nas ruas mesmo. Um prato feito para todos os demagogos e aprendizes de ditador que prometem resolver tudo do dia para a noite.

O problema principal é que os governos nacionais não possuem mais os instrumentos institucionais ou econômicos para resolver os problemas dos seus cidadãos. A globalização da economia, do consumo e da maneira de se comunicar já passaram por aí. Por sua vez, as populações estão cada vez mais fragmentadas entre rurais e urbanos, empregados e desempregados, ricos e pobres.

Não é só a ideia do Estado-nação que está desaparecendo e sendo contestada por diversos movimentos de autonomia subnacionais. É também a própria noção de “povo” com interesses comuns dentro de um espaço nacional comum.

Daí essa desintegração das sociedades que leva à fragmentação dos partidos políticos, a governos fracos e em permanência ameaçados e aos sucessos eleitorais dos movimentos populistas que querem recriar, de maneira artificial e autoritária, um “povo” unido na marra. As eleições espanholas são somente a mais recente encarnação da nossa crise de civilização.

Alfredo Valladão, do Instituto de Estudos Políticos de Paris faz uma crônica de política internacional às segundas-feiras para a RFI


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