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"Vergonha" de voar: viajantes abandonam o avião para proteger o planeta

Estudante Léna Lazare já foi de Paris à Finlândia de trem e barco - e a próxima viagem é para o Japão. RFI/ arquivo pessoal

De que adianta comer comida orgânica, separar o lixo e abandonar o carro se, uma vez por ano, você pega um avião para atravessar milhares de quilômetros e passar apenas uma semana de férias? Essa é a questão que milhares de pessoas preocupadas com as mudanças climáticas começam a se colocar. O movimento Flygskam (que significa “vergonha de avião”) surgiu na Suécia e ganha adeptos no restante da Europa, impulsionado por novos ícones da luta climática como a jovem Greta Thunberg.

Como muitos outros viajantes sensíveis ao tema, Greta privilegia outros meios de transporte ao avião. Os trajetos se tornam mais longos e, com frequência, mais caros. Mas os adeptos se orgulham de não compactuar mais com aquela que é a alternativa mais poluente por quilômetro rodado.

A agência Europeia de Meio Ambiente indica que um passageiro de avião emite 285 gramas de CO2, contra 158 gramas em uma viagem de carro ou apenas 14 gramas se a opção for o trem. Habituada a viagens de férias ou estudantis, a universitária Léna Lazare, 20 anos, começou a abandonar o avião no fim do ensino médio. No ano passado, ela levou quase quatro dias para ir de Paris à Finlândia, de trem e barco.

“Foi uma longa viagem, mas muito prazerosa. Me dei conta de que, no fundo, a utilização do avião não me agradava por várias razões”, relata a jovem estudante de Física. “Primeiro, pela incoerência ambiental. Mas também porque ele nos leva de um ponto A a um ponto B e eu não quero mais só isso. Considero que o trajeto também faz parte da viagem.”

Da França ao Japão... de trem e barco

No ano que vem, o desafio será ainda maior: Léna vai até Tóquio sem subir numa aeronave. Ela reconhece que é preciso ter tempo de sobra para fazer essa opção, mas garante que o sentimento de dever cumprido compensa toda a logística.

Professor Julien Goguel lançou manifesto para sensibilizar pessoas sensíveis à proteção do planeta sobre a poluição dos aviões. RFI/ arquivo pessoal

O professor Julien Guguel teve esse estalo quando foi de Paris a Bordeaux para participar de uma caminhada pelo clima. Na manifestação, ele conversou com um amigo que acabava de fazer um longo trajeto de avião e voltaria a pegar outro voo apenas uma semana depois.

“As pessoas que são sensíveis a essa causa e tomam cuidado para poluir menos precisam saber que, com uma ida e volta num voo de longa distância, elas destroem todos os esforços que fizeram durante um ano, em termos de emissões. Tudo que é feito no dia a dia não serve para mais nada, o que é uma incoerência completa”, avalia Guguel. “Desperdiçar tudo por causa de uma semana de férias agora me parece um capricho, a partir do momento em que se está informado sobre o impacto dessa escolha.”

Avião: privilégio dos jovens

Partiu de Julien a iniciativa de levar para a França a campanha pela diminuição dos voos – pelo menos os turísticos. Ele pondera que as viagens a trabalho dificilmente podem ser evitadas, assim como as de pessoas que atravessam oceanos para rever suas famílias. Mas garante que todos podem fazer mais esforços pelo planeta durante as férias.

No raciocínio dele, os trajetos longos deveriam ser um privilégio dos jovens, para que entrem em contato com outros países e culturas. Porém, aqueles que já viajaram bastante na vida deveriam optar por lugares mais próximos.

“A oferta comercial nos diz que podemos viajar para longe e pagando relativamente pouco, e a legislação nos autoriza isso. Ou seja, apenas a nossa consciência pode barrar esse hábito”, analisa o professor. “Eu não pegarei mais, não apenas porque não preciso, mas porque já ultrapassei a minha cota de emissões por avião.”

Julien destaca ainda que apenas 5% das pessoas do mundo têm condições financeiras de voar – um dado difícil de aceitar quando se pensa que as populações mais pobres são as mais atingidas pelos efeitos das mudanças climáticas, causadas pelos gases de efeito estufa.

Medidas para desestimular os voos

Para incitar cada vez menos pessoas a subir numa aeronave, diversas iniciativas circulam na Europa. Na Suécia, a campanha resultou em um projeto de € 5 milhões em investimentos em trens noturnos, com o intuito de incentivar as viagens de longa distância.

Na Suíça, parlamentares pedem a proibição da publicidade das companhias aéreas, a exemplo do que foi feito com os cigarros. Na Holanda, os deputados votaram a favor do fim da ligação aérea entre Amsterdã e Bruxelas, já que o trem faz o mesmo trajeto em cerca de duas horas. Outra alternativa ainda mais simples, sublinha o pesquisador especialista em poluição Jean-Baptiste Renard, seria passar a taxar a querosene na União Europeia.

“É um escândalo que o querosene não tenha um imposto específico. Considero um verdadeiro problema fazer as pessoas pagarem taxas para andar de carro, mas isentar as companhias aéreas”, observa o pesquisador da Universidade de Orléans. “O transporte aéreo acaba sendo estimulado, porque é graças ao combustível barato que existem passagens a preços terrivelmente baixos.”

Renard esclarece que o ranking da poluição dos transportes é relativo: um motorista de uma SUV a diesel que anda 30 quilômetros na cidade pode poluir mais que um passageiro de avião de um trajeto de longa distância. Ele explica que os curtos trajetos em avião são os piores inimigos do meio ambiente, já que o momento da decolagem é quando uma aeronave mais gera emissões.

O especialista ressalta que os motores de aviões evoluíram muito nos últimos 30 anos, porém a explosão do tráfego aéreo acaba por anular os benefícios tecnológicos.


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