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Zelenski, o ator que virou presidente da Ucrânia, país estratégico para a Europa

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Zelenski, o ator que virou presidente da Ucrânia, país estratégico para a Europa
 
O presidente ucraniano Volodimir Zelensky, que vivia um presidente na série "Servo do Povo." REUTERS/Stringer

Cinco anos depois da Maidan, a onda de protestos pró-Europa que transformou a Ucrânia, o país acaba de eleger o ator e comediante Volodimir Zelensky para presidência. Zelensky obteve uma vitória esmagadora, com cerca de 73% dos votos. A Europa acompanhou de perto as eleições presidenciais na Ucrânia, que são essenciais para as ex-repúblicas soviéticas.

Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que “as eleições livres e mudança pacífica de poder representam a forte democracia no país”. Nunca um presidente ucraniano obteve um apoio tão maciço, afirmou o jornal Le Monde. A vitória do ator e comediante Volodimir Zelensky reafirma a tendência atual de eleger um “outsider” do sistema político.

Há quem considere Zelensky um populista que sabe atuar com talento o papel de homem simples e sincero. Assim como o personagem que vive na série de TV, “Servo do Povo”, na qual interpreta um presidente ideal para os ucranianos que luta contra a corrupção. Exatamente o anti retrato da classe política de Kiev.

Durante a campanha, Zelensky prometeu “quebrar o sistema” sem se desviar do curso pró-Ocidente. O candidato vitorioso de um dos países mais pobres da Europa, onde o salário médio é de 300 euros mensais, quer a Ucrânia na Otan e garante que vai seguir o caminho em direção à Europa.

Tensão com Moscou

A Ucrânia é um país estratégico geograficamente e marcado pela tensão com Moscou. Cerca de 80% das exportações russas de gás passam pela Ucrânia, e a Europa importa da Rússia um terço do gás que consome. Há cinco anos a Rússia anexou a península da Crimeia, área de maioria russa que havia sido cedida a Kiev pelos soviéticos.

Desde então as relações entre o presidente russo Vladimir Putin e o Ocidente deterioraram. União Europeia e EUA impuseram sanções econômicas pelo fato do Kremlin ignorar a soberania e a integridade territorial da Ucrânia. Com a anexação, a presença militar russa no Mar Negro está expandindo e a Rússia passou a controlar toda a extração do gás natural na região.

Programa vago

A vertiginosa ascensão de Zelensky se deve em grande parte ao fato de o comediante ser um novo rosto na política do país, totalmente fora do padrão do establishement. Os ucranianos elegeram um novato sem nenhuma experiência política e com um programa bastante vago. Foi um voto contra as elites de Kiev consideradas corruptas e incompetentes pelo povo. O sucesso de Zelensky como comediante também foi decisivo para sua vitória. Inclusive, seu partido “Servo do Povo” tem o mesmo nome da famosa série em que atua.

No limite entre ficção e realidade, os ucranianos votaram no presidente fictício vivido pelo candidato na série, e sua vitória representa um pulo no escuro para a Ucrânia. Desafios não faltarão a Zelensky, que terá que enfrentrar uma economia em frangalhos e a ainda presente guerra com os separatistas pró-russos, no leste do país, que já matou cerca de 13 mil pessoas.

Críticos de Zelensky o acusam de ser pró-Moscou, mas a acusação parece não se sustentar pois o candidato vitorioso mantém laços com o oligarca anti-Rússia, Ilhor Kolomoiski. No final de outubro, os ucranianos voltam às urnas para renovar o Parlamento com as eleições legislativas.

 


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