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Europa

Em Roma, personalidades italianas pedem liberdade para ex-presidente Lula

media O evento ocorreu na sede da CGIL (Confederação Geral Italiana do Trabalho) o maior sindicato da Itália, com mais de 5,5 milhões de inscritos. RFI/Gina Marques

Mais de 30 personalidades italianas, entre intelectuais, juristas, políticos e sindicalistas, se manifestaram nesta quinta-feira (4) em Roma pela liberdade do ex-presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, há quase um ano preso em Curitiba. A manifestação, organizada pelo Comitê Internacional Lula Livre, contou com a participação de Gilberto Carvalho, ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República do Brasil, entre 2011 e 2015, durante o governo de Dilma Rousseff.

Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

O evento ocorreu na sede da CGIL (Confederação Geral Italiana do Trabalho) o maior sindicato da Itália, com mais de 5,5 milhões de inscritos. Cerca de 200 pessoas, entre brasileiros e italianos, lotaram o auditório. Na abertura foi projetado um breve vídeo contando a história do ex-presidente brasileiro. Em seguida foi lida uma carta que Lula enviou ao Comitê Internacional Lula Livre.

“Esses moralistas sem moral agora têm posições e poder dentro do novo governo, que foi eleito apenas porque impediram minha candidatura. Mas quem está na prisão é Lula, que nunca possuiu um apartamento ou terreno, que nunca assinou contratos com a Petrobras, que nunca teve contas secretas como as da fundação que agora está em aberto” dizia um trecho da carta.

A sindicalista Susanna Camusso, ex-secretária geral da CGIL e atual responsável pelas relações internacionais do organismo, abriu o evento. “Estivemos em Curitiba no acampamento na frente da prisão de Lula. Queremos Lula livre protestando contra o uso da Justiça para legitimar um golpe de Estado e para impedir o retorno de regimes fascistas” disse Camusso.

Em seguida, Gilberto Carvalho leu o seu discurso em italiano. Além de reivindicar o reconhecimento da inocência de Lula e ressaltar os resultados do ex-presidente no combate à miséria no Brasil, o ex-ministro fez autocrítica dos governos liderados pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Autocrítica

"Cometemos graves erros, não foi suficiente a inclusão de 40 milhões de brasileiros na cultura e na política, deixamos as armas aos inimigos. Falimos também quando caímos na lógica da política institucional burocrática e erros da corrupção”, disse Gilberto Carvalho. O ex-ministro acusou também a imprensa de cumplicidade na campanha de desmoralização de Lula e o que qualificou de ilegítima condenação do ex-presidente pelo crime de corrupção.

“Quem foi preso não foi só Lula e sim um projeto de inclusão social. Temos que unir o grito pela liberdade de Lula ao grito contra a reforma criminal da previdência” concluiu Carvalho.

No evento foi projetado um vídeo com a mensagem do diretor geral da FAO, José Graziano da Silva, agradecendo os projetos de Lula para combater a fome, que foram implantados com sucesso na África.

Vagner Freitas, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) também enviou um vídeo com sua mensagem pela liberdade de Lula. Ele criticou a Reforma da Previdência e falou da greve geral que está sendo programada no Brasil. “Não é só no Brasil que existe a precarização dos trabalhadores, na Itália também” disse Freitas.

Massimo D'Alema, ex-primeiro-ministro italiano e amigo pessoal de Lula, e Roberto Vecchi, professor da Universidade de Bolonha especializado em cultura brasileira, afirmou que a prisão de Lula representa um perigo para a democracia brasileira e internacional.

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