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Brexit: acordo que pode gerar renúncia de May é votado no Parlamento

Brexit: acordo que pode gerar renúncia de May é votado no Parlamento
 
O governo britânico voltará a apresentar aos deputados, na sexta-feira (29), pela terceira vez, o acordo de Brexit negociado pela primeira-ministra Theresa May com a União Europeia. REUTERS/Hannah McKay

O Reino Unido enfrenta mais um dia decisivo na novela do Brexit. Nesta sexta-feira, o Parlamento Britânico deve votar mais uma vez se aceita, ou não, o acordo negociado pela primeira-ministra, Theresa May, e a União Europeia com os detalhes do divórcio. Será uma nova queda de braço entre o governo conservador e parlamentares.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

O Parlamento Britânico vota nesta sexta-feira (29) o acordo que May fechou com os europeus. Só que agora, sem a declaração política, que é o que lança as bases para a relação futura com a UE. Mesmo assim, esta será a terceira consulta sobre a validade do documento de quase 600 de páginas que foi discutido ao longo de dois anos.

Nas duas últimas votações, o acordo foi rejeitado, impondo derrotas importantes à primeira-ministra. Nem parlamentares, nem acadêmicos ousam prever o futuro do país nos próximos dias. O prazo original de dois anos para o divórcio seria hoje. Mas, diante de tantas incertezas, conseguiu-se uma prorrogação. A União Europeia concordou com uma pequena extensão. Mas com uma condição: os britânicos precisam aceitar o acordo de Theresa May.

Neste caso, o país terá até o dia 22 de maio para sair. Mas, se isso não acontecer, ou seja, se não o acordo não tiver o sinal verde dos deputados, o divórcio será litigioso e a data final para a separação é o dia 12 de abril. Este cenário tem assustado não apenas a classe política, que tem lidado com o tema de maneira desastrada, mas sobretudo a população, empresas e investidores. Sem um acordo, tudo pode acontecer.

Há muitos detalhes desta separação que ainda não foram acertados. No mundo dos negócios, empresários se dizem frustrados e afirmam que o governo falhou para o setor. O cidadão comum, por sua vez, está preocupado com uma porção de coisas. Se vai poder comprar frutas e legumes importados, ou se ele vai ficar preso nas burocracias da nova fronteira. Se vai poder usar seus telefones em viagem, ou o seguro de saúde válido em território britânico também valerá na Europa, ou se poderá cruzar o canal da mancha carregando seus animais de estimação.

Novo referendo

No fim de semana passado, mais de um milhão de pessoas foi às ruas pedir um novo referendo. Há um abaixo-assinado circulando pelo país onde seis milhões de britânicos pedem outra consulta à população. Na semana passada, os parlamentares descartaram essa possibilidade ao rejeitar um projeto que previa novo referendo. Mas o tema sempre pode voltar à pauta e ser levado a voto novamente.

Não dá para saber quem estará no comando do país a partir dos próximos dias. Theresa May já disse que, se o acordo dela for aprovado, está disposta a renunciar. Isso poderia acalmar a ala mais radical do seu próprio partido, descontente com os rumos que tomou o Brexit, que aconteceu justamente em função de disputas dentro do partido conservador de May. Seu antecessor, o ex-primeiro-ministro David Cameron, é o grande responsável pelo que está acontecendo agora. Foi ele que decidiu realizar o referendo para acalmar as brigas internas do seu partido. Acabou surpreendido com o resultado.

Cerca de 52% da população optou pelo Brexit. Os trabalhistas querem espaço. Querem uma nova eleição geral. Querem o poder. Seja quem for o próximo líder do governo, ele ou ela terá de lidar com um país dividido. Além disso, nesses dois últimos anos, o Brexit dominou a agenda política e de governo. Sobrou pouco espaço para se discutirem os problemas reais desse país, como as desigualdades crescentes, o sistema de saúde, a economia como um todo. Aliás, só com as incertezas do Brexit, a economia britânica já diminuiu o passo. E isso tem impacto sobre a vida do cidadão médio.


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