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Europa

Decisão alemã de congelar venda de armas para Arábia Saudita provoca conflito entre europeus

media O príncipe herdeiro saudita, Mohammed ben Salman FAYEZ NURELDINE / AFP

A Alemanha decidiu prolongar por mais seis meses o congelamento das vendas de armas à Arábia Saudita. A decisão afeta não somente o país árabe, mas também os parceiros de Berlim.  

A iniciativa alemã não afeta, no entanto, os programas comunitários entre os países europeus e a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Para contornar esse problema, Berlim estabeleceu que “os equipamentos militares produzidos em conjunto não serão usados na guerra do Iêmen”.

A Alemanha também disse que se esforçará para que nenhum armamento produzido num projeto com os parceiros europeus chegue a Arábia Saudita ou aos Emirados Árabes até o fim do ano. Quanto aos barcos Wolgast, que deveriam ser entregues aos sauditas, Berlim propôs concluir a venda, sem enviar as encomendas de imediato.

“Não queremos fazer exportações de armas para ditaduras e zonas de conflitos”, disse Karl Lauterbach, vice-presidente do partido social-democrata SPD, que comemorou a “vitória” que representa a decisão. Os cristãos-democratas, por outro lado, queriam pôr fim à interdição comercial com Riade e se opõem à iniciativa.

Conflito entre europeus

Os parceiros de Berlim também criticaram a decisão alemã, incluindo Londres e Paris, que apontam consequências que isso poderá trazer aos projetos europeus. Em uma carta agressiva enviada ao chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas, o ministro britânico das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, acusou a Alemanha de “falta de lealdade”. Na terça-feira (26), a embaixadora da França na Alemanha, Anne-Marie Descôtes, criticou o caráter imprevisível da política alemã de exportação de armas.

“Os franceses tentaram mudar as coisas discretamente e de forma educada. Eles se deram conta de que isso não estava funcionando e agora não hesitam em dizer aos alemães que estão com raiva”, analisa Claudia Major, do Instituto Alemão de Política Internacional, entrevistada pelo Le Monde. “Nunca vi um conflito tão grande entre França e Alemanha nesse assunto. Em Paris, a questão das exportações de armas é vista sob um ângulo estratégico. Em Berlim, temos uma perspectiva moral e de política interior.”

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