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Europa

Suspensão de partido populista de Orbán da direita europeia é elogiada pela imprensa francesa

media A imprensa francesa desta quinta-feira, 21 de março, analisa a decisão do Partido Popular Europeu. Foto do jornal Libération com artigo sobre Viktor Orban. Fotomontagem RFI

A imprensa francesa desta quinta-feira (21) analisa a decisão do Partido Popular Europeu (PPE), o principal do parlamento do bloco, de suspender a sigla Fidesz, do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, por tempo indeterminado. A decisão, mesmo moderada, é elogiada pelos diários Libération e Le Figaro.

Por enquanto, o Fidesz foi apenas suspenso, mas para Libération a decisão significa que a direita europeia “baniu o partido xenófobo de Orbán”, devido às tendências autoritárias do premiê húngaro. A suspensão é uma sentença mínima, avalia o jornal progressista. Mas, em tempos de eleições europeias, o PPE precisa talvez do Fidesz para manter sua maioria no parlamento europeu, explica Libération.

Foi uma deliberação entre ética e a realidade política. Expulsar agora Orbán, significaria perder entre 12 ou 13 eurodeputados e diminuir as chances do Partido Popular de conservar a presidência da Comissão Europeia. Outro fator para a sentença moderada é o temor de que outros partidos da Europa do leste, que têm a mesma visão que o premiê húngaro, também abandonem a maioria parlamentar europeia e formem uma grande bancada de direita radical e eurocética. Tudo isso explica a indecisão do PPE em se livrar de uma vez por todas do Fidesz, salienta o diário.

Decisão unânime

A suspensão do partido de Viktor Orbán foi decidida na quarta-feira (20), em Bruxelas, durante uma assembleia política do PPE, que reúne 70 siglas conservadoras provenientes de 40 países do continente. Ela foi aprovada quase por unanimidade, 190 votos a favor contra 3, e vale pelo menos até as eleições europeias de 26 de maio.

A unanimidade significa que daqui para frente será mais difícil acusar os conservadores de indulgência com os deslizes antiliberais de Orbán, afirma Liberation. Para se reabilitar, o partido do premiê deve pedir desculpas, pôr fim à sua controversa campanha contra o presidente da comissão de Bruxelas, Jean Claude Junker, e esclarecer a situação da Universidade da Europa Central, em Budapeste.

“Advertência brutal”

Le Figaro diz que essa suspensão é uma “advertência brutal” da direita europeia ao húngaro Viktor Orbán. Ela é “um compromisso, um acordo semântico, que salva as aparências e permite que o "enfant terrible" não abandone o partido de vez. A clarificação da posição do PPE foi dolorosa, informa o jornal. Durante anos, a sigla fechou os olhos para as provocações do premiê húngaro e seus ataques reincidentes contra o Estado de direito.

Os efeitos da suspensão do partido nacionalista e anti-imigração húngaro serão reais, detalha o jornal conservador. Primeira consequência imediata da medida, o primeiro-ministro húngaro, que envenena a vida da direita europeia, não poderá participar nesta quinta-feira (21) da tradicional cúpula do PPE, organizada pelo partido antes da abertura de cada Conselho Europeu, em Bruxelas. Orbán e o Fidesz não participarão de nenhuma reunião pública, não terá direito a voto e não poderá propor nenhum candidato à direção do PPE até que a sanção seja suspensa.

Le Figaro analisa que o PPE esperou muito para sancionar o Fidesz. Um eurodeputado entrevistado pelo diário diz que Orban deveria ter sido sancionado há um ano, quando ele atacou e obrigou a Universidade da Europa, fundada por Georges Soros, de deixar a Hungria. Para o Le Figaro, Viktor Orbán está agora com “um pé dentro e um pé fora do Partido Popular Europeu”.

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