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Europa

Parlamento britânico aprova adiar data do Brexit

media Primeira-Ministra do Reino Unido, Theresa May, durante discurso no Parlamento Britânico, 12/03/2019 UK Parliament/Jessica Taylor/Handout via REUTERS

Os deputados britânicos aprovaram, nesta quinta-feira (14), uma moção do governo que propõe pedir à União Europeia (UE) um adiamento da data do Brexit, mas poucos acreditam que a prorrogação ajudará a destravar o impasse.  

Segundo a moção, aprovada por 412 votos a 202, o Parlamento "aceita que o governo busque um acordo com a União Europeia" para adiar a data em que o Reino Unido deveria deixar o bloco, definida até agora para o dia 29 de março.

Em uma nova reviravolta na Câmara dos Comuns, a primeira-ministra Theresa May decidiu submeter aos deputados uma moção propondo organizar, antes de 20 de março, uma terceira votação sobre o polêmico acordo de divórcio negociado com Bruxelas.

May explicou que, se o acordo for aprovado antes desse dia, pedirá aos líderes europeus um curto adiamento, até 30 de junho, para formalizar a saída da União Europeia. Inicialmente, esse ponto final estava previsto para 29 de março.

Eleições europeias

A data escolhida não é por acaso. O dia 21 março marca o início de uma cúpula europeia de dois dias em Bruxelas que será novamente dominada pelo Brexit, em um momento em que os europeus procuram dar um novo impulso ao bloco e de frente para as eleições europeias de maio.

Trata-se de uma aparente tentativa de pressionar os eurocéticos ansiosos por deixarem o bloco, mas relutantes em fazê-lo nas condições atuais. May já advertiu que, se eles rejeitarem o acordo pela terceira vez, a extensão será muito maior e implicaria a participação nas eleições europeias.

Antes da moção de May, os deputados votaram outras emendas. A primeira delas, referente à convocação de um segundo referendo, foi rejeitada por 334 votos contra 85, um resultado previsível, uma vez que defensores do chamado "voto do povo" pediram pela abstenção, considerando não ser o momento adequado para discutir o tema.

Donald Trump

Em Washington, o presidente americano, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que seria injusto realizar um segundo referendo sobre o Brexit, ao mesmo tempo que expressou surpresa quanto aos impasses no processo. "Acredito sinceramente (que o Brexit) poderia ter sido negociado de maneira diferente", afirmou, considerando uma "pena" a caótica situação entre o Reino Unido e União Europeia.

Ao mesmo tempo, Trump afirmou que não acredita que "seja possível outra votação, porque seria muito injusto para as pessoas que venceram". Por sua vez, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, advertiu que o Reino Unido deve "repensar sua estratégia para o Brexit" e criar "um consenso em torno dele", se quiser uma "longa extensão" da UE.

O Parlamento britânico vive, assim, um terceiro dia consecutivo de votações cruciais, depois de rejeitar na terça-feira (12) o Tratado de Retirada negociado pelo governo com a UE e, na quarta-feira (13), a possibilidade de um Brexit sem acordo.

As razões e a duração

May já havia alertado os deputados no início desta semana que "votar contra um Brexit sem um acordo e em favor de uma extensão não resolve os problemas que enfrentamos". "A UE vai querer saber qual uso faremos desta extensão", disse.

"Esta casa vai ter que responder a essa pergunta. Deseja revogar o artigo 50 (que ativa o processo de retirada de um país-membro do bloco), deseja organizar um segundo referendo, ou quer sair com um acordo, mas não com este acordo?", apontou.

Apesar de tudo, um Brexit sem acordo é vislumbrado com cada vez mais clareza. Nesta perspectiva, parece provável que os parlamentares sejam favoráveis a pedir mais tempo para Bruxelas para tentar corrigir a situação, quase três anos após o referendo de junho de 2016 em que 52% dos britânicos votaram a favor do Brexit.

Não está claro, porém, se estarão dispostos a votar pela terceira vez em um texto rejeitado duas vezes nos últimos dois meses: a primeira, por 432 votos a 202; a segunda, por 391 contra 242.

Em qualquer caso, os líderes dos outros 27 países do bloco alertaram que consideram uma extensão apenas se virem um propósito claro nisso, reiterando que, com as linhas vermelhas atuais de Londres, o único acordo possível já está negociado.

Com informações da AFP.

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