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Após obter novas garantias junto à UE, Reino Unido vota novamente acordo do Brexit

Após obter novas garantias junto à UE, Reino Unido vota novamente acordo do Brexit
 
Londres vota novamente o acordo do Brexit nesta terça-feira (12), a menos de três semanas para que o Reino Unido se desligue oficialmente da União Europeia. REUTERS/Eddie Keogh/File Photo

O Parlamento do Reino Unido se reúne nesta terça-feira (12) para uma nova votação sobre o acordo para a saída do país da União Europeia, o Brexit. Na segunda-feira (11), após uma reunião com o presidente do bloco, Jean-Claude Juncker, a primeira-ministra Theresa May obteve novas garantias. 

Maria Luisa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

O principal ponto que vinha emperrando a aprovação do acordo é a questão da fronteira da Irlanda do Norte - que é parte do Reino Unido - com a República da Irlanda, membro da União Europeia. Esse é o único limite terrestre entre os dois lados e ambos querem evitar a volta de controles rígidos para a entrada e saída de produtos e cidadãos.

Por enquanto, o compromisso para o Brexit prevê um mecanismo chamado "backstop", que praticamente deixa o Reino Unido dentro da união alfandegária europeia indefinidamente. May e Juncker concordaram que, caso os europeus não encontrem uma solução definitiva para a fronteira entre as Irlandas, os britânicos poderiam abrir uma “disputa formal” contra o bloco. 

Juncker também deu garantias à May de que a União Europeia se compromete a buscar novas alternativas para o backstop até 2020. Mas ele deixou claro que esta é a última vez que ele negocia o acordo com os britânicos. 

Com essas garantias, a premiê britânica espera que os parlamentares aprovem o compromisso e ponham fim a um impasse que já dura meses. Faltam menos de três semanas para que o Reino Unido se desligue oficialmente da União Europeia.

Clima de incerteza

Ainda não se sabe se essas novas garantias serão suficientes para convencer o Parlamento a aprovar o acordo de May. Em janeiro, o compromisso foi rejeitado em massa, tanto pela oposição quanto pelo próprio partido de May, o Conservador

O líder do principal partido de oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, afirmou que praticamente não houve mudanças satisfatórias no acordo, mesmo após o anúncio feito por May e Juncker. Ele pediu para que seus colegas rejeitem o texto na votação desta terça-feira. 

Até mesmo políticos simpatizantes do Brexit dentro do Partido Conservador se mostraram decepcionados com o resultado dessa nova rodada de negociações. Portanto, a votação marcada para a tarde desta terça-feira vai ocorrer em meio a um grande clima de incerteza.

Se o acordo não for aprovado, na quarta-feira (13) haverá uma nova votação para que os parlamentares decidam se o Reino Unido deve sair do bloco sem nenhum tipo de acordo com a União Europeia. É um cenário que muitos britânicos temem.

Caso a nova votação resulte em uma rejeição, na quinta-feira (14), o Parlamento britânico se reúne para decidir se o país deve pedir uma extensão do prazo para sair oficialmente do bloco. Aí será a vez de a União Europeia resolver se aceita ou não dar mais tempo para o Reino Unido resolver seus impasses. 

Possibilidade de um segundo referendo

O movimento People’s Vote, que pede que o acordo final para o Brexit seja submetido à aprovação da população, ainda está pressionando o governo para a realização de um novo referendo. Uma grande marcha está marcada para o próximo dia 23 de março, seis dias antes do prazo original para a saída dos britânicos da União Europeia. 

A última marcha, realizada em outubro, reuniu cerca de 700 mil pessoas no centro de Londres. O movimento conta com o apoio de vários parlamentares. 

Recentemente, o líder da oposição, Jeremy Corbyn, cedeu à pressão de seu partido e disse que apoiará um segundo referendo caso julgue que as novas propostas de Theresa May sejam insuficientes para garantir o melhor para o país. A própria premiê, no entanto, já declarou várias vezes que não concorda com uma nova consulta. 


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