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Europa

Unicef faz apelo para que filhos de jihadistas não sejam estigmatizados

media Crianças brincam em um campo de refugiados na Síria. Outubro 2018 OMAR HAJ KADOUR / AFP

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) pediu nesta segunda-feira (11) que as crianças que cresceram no autoproclamado "califado" do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) não sejam estigmatizadas como "terroristas".

O destino dos filhos de jihadistas que fugiram do último reduto do EI na Síria não pode ser ignorado, disse o diretor regional do Unicef para o Oriente Médio e Norte da África, Geert Cappelaere. "A mensagem de que essas crianças são indesejáveis está se espalhando", disse Cappelaere em entrevista coletiva em Beirute.

Segundo o Unicef, cerca de 3.000 crianças estrangeiras estão no campo de refugiados de Al-Hol (nordeste da Síria), que abriga a maioria das pessoas que fugiu nas últimas semanas do reduto do EI, atacado pelas Forças Democráticas Sírias (FDS). As crianças vêm de pelo menos 43 países, muitos dos quais relutam em repatriá-los. "É um problema que não pode ser escondido debaixo do tapete", disse Cappelaere, que lançou um álbum de canções infantis, coincidindo com o oitavo aniversário do conflito na Síria.

Crianças de Ruanda são exemplo positivo

Cappelaere recordou o caso do genocídio em Ruanda em 1994. "Lá vimos milhares de crianças associadas a pessoas que cometeram atrocidades, essas crianças foram reintegradas com sucesso na sociedade ruandesa", afirmou, assegurando que o mesmo deveria ser feito na Síria e no Iraque.

Também nesta segunda-feira, o prêmio Nobel da Paz Kailash Satyarthi pediu aos países europeus para proteger as crianças de jihadistas, poucos dias após a morte de um bebê em um acampamento na Síria. "Estas crianças não são jihadistas", disse em Paris o ativista indiano que recebeu o prêmio Nobel da Paz em 2014 por sua defesa incansável dos direitos das crianças. "Se não formos capazes de fornecer cuidados adequados e proteção, assim como amor, respeito e reconhecimento que merecem, como seres humanos, corremos o risco de que sejam explorados e manipulados", disse ele. "Seria melhor acolhê-los".

Repatriação

O tema do retorno de combatentes estrangeiros do EI e suas famílias tem sido uma verdadeira dor de cabeça para as autoridades semiautônomas curdas, que exigem o seu repatriamento pelos seus respectivos países. Alguns Estados, incluindo a Rússia, têm repatriado os menores de idade, que são entregues a parentes ou famílias de acolhimento, mas o Reino Unido, a França e a Bélgica estão relutantes em fazê-lo.

"Eles podem ser filhos de jihadistas, suicidas ou terroristas. Nasceram nessas famílias, mas não são culpados por isso", disse Kailash Satyarthi. A pressão para o repatriamento aumentou nos últimos dias, especialmente após o anúncio, na sexta-feira (8), da morte na Síria do bebê de uma jovem que perdeu sua cidadania britânica ao ingressar no EI.

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