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Europa

Cardeal australiano condenado por pedofilia pode pegar 50 anos de prisão

media Cardeal australiano George Pell, o numero três do Vaticano, foi condenado por pedofilia. AAP Image/Erik Anderson/via Reuters

O cardeal australiano George Pell, número três do Vaticano, foi condenado por pedofilia na Austrália. O religioso de 77 anos tornou-se o mais alto responsável da Igreja Católica reconhecido culpado pela Justiça por abusos sexuais.

Pell foi condenado por um tribunal de Melburne, no sul da Austrália, por agressão sexual e atentado ao pudor contra dois menores, nos anos 1990. Os dois coroinhas tinham na época 12 e 13 anos. Um deles morreu em 2014. O prelado, que se licenciou do Vaticano para se defender, rejeitou as acusações e seus advogados vão recorrer.

A condenação foi decidida em dezembro, mas o tribunal australiano impôs uma "ordem de silêncio" proibindo a mídia de fazer qualquer revelação sobre o caso, sob pena de ação judicial. O objetivo da "mordaça" foi proteger o júri em um segundo processo contra o cardeal por outras acusações, que acabou não acontecendo.

A sentença contra Pell ainda não foi fixada. Uma nova audiência está prevista nesta quarta-feira (27). Ele corre o risco de pegar até 50 anos de prisão. As vítimas do cardeal australiano consideraram a decisão da Justiça um "milagre".

O Vaticano expressou seu "profundo respeito" pela justiça australiana após a condenação. "É uma notícia dolorosa que, estamos cientes, chocou muitas pessoas, não só na Austrália. Como fizemos antes, reafirmamos nosso profundo respeito pelas autoridades judiciais australianas", disse o Vaticano em um comunicado lido por seu porta-voz, Alessandro Gisotti

Religioso conservador

O anúncio da condenção do número 3 do Vaticano acontece dois dias após o fim da histórica cúpula sobre pedofilia na Igreja. Pell é conhecido por defender os valores tradicionais do catolicismo. Ele mantém posições dogmáticas em temas como a eutanásia ou o casamento entre homossexuais. O religioso também rejeita estudos científicos sobre as mudanças climáticas e as críticas que são feitas ao governo da Austrália pela política repressiva em relação aos requerentes de asilo.

Em 2014, ele foi nomeado pelo papa Francisco para dirigir o secretariado da economia da Santa Sé. Sua missão era sanear as contas da Igreja, após uma série de escândalos financeiros.

A reputação de Pell ficou manchada nos últimos anos depois dele ser acusado de ter encoberto abusos sexuais de padres do estado de Victoria, no sul da Austrália. Uma pesquisa nacional realizada no país revelou que entre 1950 e 2010, 7% dos padres foram denunciados por atos de pedofilia, mas as acusações não foram investigadas.

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