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Europa

França e Itália enfrentam forte crise na relação bilateral

media Emmanuel Macron e Matteo Salvini, duas visões de Europa. REUTERS/Montaje RFI

A animosidade entre a França e a Itália, ou mais precisamente entre o presidente francês Emmanuel Macron e o todo-poderoso ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, é a manchete do jornal conservador Le Figaro desta sexta-feira (18).

"Entre os dois países vizinhos, tão próximos culturalmente, nada vai bem", destaca o jornal, citando a crise dos migrantes, o navio Aquarius, os incidentes de fronteira e os desacordos sobre o orçamento, entre outros. Mas a principal crise parece ser política. Enquanto Macron quer se afirmar como um líder do campo progressista, na Europa, Salvini seria a personificação do populismo.

Ao mesmo tempo em que as empresas italianas são massivamente compradas pelo capital francês, os italianos não suportam mais ouvir declarações de um Macron que denuncia constantemente, a "lepra nacionalista" que corrói o país vizinho.

Troca de farpas

Enquanto isso, a televisão italiana cobre de perto as manifestações dos "coletes amarelos" na França, e 60% dos italianos dizem aprovar o movimento, que pede, entre outras coisas, a saída de Macron. O líder do Movimento 5 Estrelas e vice-primeiro ministro, Luigi di Maio, aproveita para cutucar Macron dizendo que "o povo francês clama por mudanças" e que ele não poderia estar mais de acordo.

Di Maio chegou a enviar um recado aos "coletes amarelos" há alguns dias: "Fiquem firmes, o Movimento 5 Estrelas está pronto para dar o apoio de que vocês precisam".

Para engrossar o caldo populista do lado italiano, o ex-chefe do governo, Silvio Berlusconi, 82 anos, anunciou sua candidatura às eleições europeias, que devem ser realizadas em maio deste ano. O magnata da mídia já havia liderado a campanha do seu partido, o Força Itália (de direita) para as legislativas em março, mas ele mesmo cumpria uma pena de inelegibilidade, por uma condenação por fraude fiscal.

Crise entre dois países é antiga

Segundo Marc Lazar, diretor do centro de História da Sciences Po, na França, e da Universidade Livre de Estudos Sociais, em Roma, entrevistado pelo Le Figaro, a crise entre Itália e França não começou na era Macron.

O analista diz que a tensão entre os dois vizinhos vem aumentando desde a intervenção francesa na Líbia, em 2011, por conta do grande fluxo de imigrantes que gerou na costa italiana. A isso, junta-se a compra de empresas italianas pelos franceses. "Os italianos estão à flor da pele", conclui.

"Até agora, as tensões se resolviam mais ou menos facilmente, porque havia interesses comuns, parcerias comercias e uma profunda amizade", relembra. Mas tudo mudou com a eleição de Emmanuel Macron e a constituição do governo de Giuseppe Conte, que, segundo o historiador, precisam se afirmar como adversários.

Enquanto Macron denuncia a "doença populista" de Matteo Salvini e Luigi di Maio, na Itália, e de Viktor Orban, na Hungria, o governo italiano elegeu como seus dois maiores adversários a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Emmanuel Macron. "É ao mesmo tempo o afrontamento de personalidades supermidiáticas e de duas concepções de Europa", afirma Lazar.

Ainda segundo o historiador, esta é a crise mais profunda depois da Segunda Guerra Mundial, quando Itália e França estavam em campos diferentes. Ele compara ainda a relação entre os dois países à de um casal: "Nós formamos um casal particularmente complicado", define.

 

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