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Brexit: Parlamento decidirá futuro do psicodrama com a Europa?

Brexit: Parlamento decidirá futuro do psicodrama com a Europa?
 
Protesto pró-Brexit nas ruas de Londres em 12/01/19. REUTERS/Simon Dawson

Semana decisiva para saber se o Reino Unido vai resolver o seu psicodrama nacional com a Europa. Brexit ou não Brexit, eis a questão! Em 15 de janeiro, o Parlamento vai aceitar, ou não, o plano da primeira ministra Theresa May. E pelo visto, salvo improvável reviravolta, a resposta será não. E aí, é salve-se quem puder.

Por enquanto, não há plano B que tenha uma maioria parlamentar. Claro, boa parte dos Tories no poder acha que o projeto do governo é o menos pior. Mas sabem que não satisfaz nem os que estão a favor do Brexit, nem os que são contra. Dois anos de árduas negociações e Londres só conseguiu um acordo capenga para empurrar com a barriga.

Dois anos a mais para tentar um divórcio comercial com Bruxelas – um pesadelo para a economia britânica entranhada nas regras e mercados do continente. E uma cláusula transitória, e sem data de validade, para evitar uma nova fronteira entre a Irlanda do Norte britânica e a República da Irlanda, parte da União Europeia.

Uma disposição que pode manter o Reino Unido no mercado único europeu durante décadas. Os “Brexiters” acham que tudo isso é uma traição do referendo de 2016 a favor da saída do Reino Unido. E os anti-“Brexiters” não estão dispostos a arcar com a catástrofe econômica e social anunciada.

Só que o tempo é curtíssimo. Vários deputados tories já se aliaram à oposição para votar uma emenda obrigando o governo a apresentar um plano B em três dias, caso o Parlamento rejeitar o atual. Claro, é quase impossível e alguns representantes conservadores contrários ao Brexit estão articulando um jeito para que o Parlamento declare ilegal uma saída unilateral sem acordo, e possa propor soluções alternativas sem depender do poder executivo. Mas será que existem?

Hipóteses

Um Brexit unilateral arrebentaria com boa parte das empresas britânicas extremamente dependentes das cadeias de valor e dos mercados europeus, sem falar nas milhares de regras e standards comuns ou no futuro da indústria de capitais inglesa.

Não é surpreendente que o business britânico não quer saber de divórcio. Pior ainda: a Escócia e a Irlanda do Norte, votaram claramente contra a saída da União Europeia. Um Brexit “duro” só pode relançar o movimento independentista escocês e uma revolta do eleitorado norte-irlandês em favor da reunificação com o sul.

O Reino-Unido nunca esteve tão perto da desintegração, desde a independência irlandesa. E não para por aí. O referendo de 2016 rachou o país meio a meio. As grandes cidades – particularmente Londres – votaram contra. Enquanto as zonas rurais e as antigas regiões industriais decadentes do norte da Inglaterra queriam se ver livres da Europa.

Os jovens foram abertamente favoráveis a um futuro europeu, enquanto os mais velhos e aposentados escolheram cortar os vínculos. Vai ser difícil a juventude, que ainda tem décadas de vida pela frente, aceitar que aqueles que só vão viver mais alguns anos determinem o seu destino. A verdade é que cada metade do país não está disposta a aceitar o que a outra quer.

Por enquanto, muita gente propõe alternativas. O plano de Theresa May renegociado com Bruxelas: mas isso parece quase impossível depois de dois anos de parolagem sem saída. Um novo acordo de livre-comércio como o do Canadá com a Europa ou como o da Noruega: só que nos dois casos o Reino Unido ficaria dependendo das regras e decisões europeias sem poder apitar na elaboração e implementação das mesmas. Ou então – sacrilégio! - um novo referendo.

As sondagens, hoje, vaticinam uma maioria para os que querem anular o Brexit. Mas é claro que votar de novo é jogar lenha na fogueira do psicodrama também provocado, pelo primeiro referendo. O Reino Unido está numa sinuca de bico e o taco está na mão do mais antigo Parlamento democrático do mundo.


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