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Europa

Justiça belga ordena que Estado repatrie da Síria mulheres ex-jihadistas e seus filhos

media Campo de refugiados de Al-Hol, no nordeste da Síria. DELIL SOULEIMAN / AFP

Nesta quarta-feira (26), a justiça belga ordenou que o país organize a repatriação de seis crianças belgas, filhos de combatentes jihadistas. As duas mães, de 25 e 26 anos, estão detidas com as crianças, com idades de zero a seis anos, em um campo para refugiados em Al-Hol, na Síria, controlado por autoridades curdas, no nordeste do país.

Nesta quarta, um juiz do tribunal de Bruxelas foi na contramão do que havia sido decidido há seis meses. Na ocasião, o pedido das duas mães, que tiveram três filhos cada, de voltar à Bélgica havia sido negado. Desta vez, o juiz avaliou que, para o bem das crianças, o Estado terá que tomar “todas as medidas necessárias e possíveis” para trazê-los de volta. “Eles não têm nenhuma liberdade de ir e vir”, explicou Anouk Devenyns, porta-voz do tribunal.

40 dias para repatriar as crianças e as mães

O Estado belga terá 40 dias para finalizar a repatriação, caso contrário, uma multa de € 5.000, por dia e por criança, será aplicada. O tribunal propôs uma série de medidas concretas para agilizar o procedimento. Com isso, o Estado foi “convidado” a entrar em contato com autoridades do campo de refugiados, usando, se necessário, a “ajuda diplomática de outro país membro da União Europeia”. Isso porque a Bélgica não dispõe de uma representação consular na Síria.

O Estado belga terá também que entregar os documentos de identidade necessários, inclusive às duas mães, e assegurar que o transporte seja feito de forma segura. O tribunal também estipulou que “mesmo se as mães forem detidas na chegada à Bélgica, “um contato com os filhos será sempre possível”, garantindo melhores condições do que as encontradas atualmente na Síria, afirmou Anouk Devenyns.

França não quer repatriação de mães francesas

Neste mês de dezembro, diversas mães francesas detidas em outro campo de refugiados (Roj) da Síria, recusaram a proposta do governo francês de repatriar somente as crianças.

É o caso de Margaux Dubrueil. Esta francesa que nasceu em Nantes, no noroeste da França, casou duas vezes com combatentes do grupo Estado Islâmico (EI). Ela também não pensa em deixar seus três filhos voltarem para a França. “Se eles forem, tudo pode me acontecer. Fiquei sabendo que algumas mulheres eram enviadas a Bagdá e condenadas à morte. Com as crianças ao meu lado, talvez eles tenham um pouco de misericórdia”, explicou, em conversa com uma jornalista do canal de televisão France 2.

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