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Europa

Em bênção de Natal no Vaticano, papa fala de imigração e países em guerra

media Papa Francisco acena da sacada da basílica de São Pedro, no Vaticano, nesta terça-feira (25). REUTERS/Max Rossi

O papa Francisco enviou nesta terça-feira (25) sua tradicional mensagem de Natal na Praça São Pedro, no Vaticano, abordando temas políticos, como a imigração, e conflitos em diversos países. Depois do pronunciamento, o chefe da Igreja Católica concedeu a bênção "Urbi et Orbi" (à cidade e ao mundo) a 50 mil fiéis.

O sumo pontífice desejou "a fraternidade entre as pessoas com ideias diferentes, mas capazes de se respeitar e escutar o outro". Francisco abordou a polarização em torno da questão da imigração, reiterando que o amor e o respeito devem ser sentimentos para com todas as "etnias, línguas e culturas", como "irmãos da humanidade". "Nossas diferenças não são um estrago, nem um perigo: elas são uma riqueza", completou.

“Penso na África, onde milhões de pessoas refugiadas ou deslocadas precisam de assistência humanitária e segurança alimentar. O Deus Menino, Rei da Paz, faça calar as armas e surgir uma nova aurora de fraternidade em todo o continente, abençoando os esforços de quantos trabalham para favorecer percursos de reconciliação a nível político e social”, afirmou.

Fim das guerras e da fome

A mensagem de Natal do papa também foi uma ocasião para Francisco se pronunciar sobre vários países em conflito, como as Coreias, a Síria, Israel, a Ucrânia e o Iêmen, onde disse esperar que a trégua acabe com a guerra e a fome.

"Penso no Iêmen, com a esperança de que a trégua alcançada possa aliviar finalmente tantas crianças e populações, exaustas pela guerra e pelo mundo", declarou o sumo pontífice da varanda da Basílica de São Pedro.

O Santo Padre também pediu para a comunidade internacional encontrar uma solução política para o conflito na Síria, "colocando as divisões e os interesses partidários de lado". "Que o povo sírio, especialmente os que tiveram que deixar as próprias terras e buscar refúgio em outro lugar, possa viver em paz em sua pátria", afirmou.

O papa não esqueceu a Terra Santa em sua mensagem, com um apelo ao "diálogo". "Que o Natal torne possível que israelenses e palestinos retomem o diálogo e empreendam um caminho de paz que acabe com um conflito que dura mais de 70 anos", declarou.

Também expressou sua proximidade com as comunidades cristãs da "amada" Ucrânia, em um momento de grande tensão religiosa com a Rússia. "Apenas com a paz o país pode se recuperar dos sofrimentos padecidos. Me sinto próximo às comunidades cristãs desta região e peço que possam ser estabelecidas relações de fraternidade e amizade", destacou.

Já sobre a península coreana, o sumo pontífice disse esperar que Seul e Pyongyang continuem a busca pela paz. “Que o Natal fortaleça os vínculos fraternos que unem a península da Coreia, e permita prosseguir no caminho de aproximação empreendido para se chegar a soluções compartilhadas e a todos assegurar progresso e bem-estar.”

Entendimento e união na América do Sul

Francisco também falou sobre as crises na Venezuela e Nicarágua - os dois únicos países das Américas que fizeram parte da mensagem do Papa. "Que este tempo de bênção permita a Venezuela encontrar de novo a concórdia e que todos os membros da sociedade trabalhem fraternalmente pelo desenvolvimento do país, ajudando os setores mais frágeis da população", afirmou o sumo pontífice.

O papa também desejou que "os habitantes da querida Nicarágua se redescubram irmãos para que não prevaleçam as divisões e as discórdias, e sim que todos se esforcem para favorecer a reconciliação e para construir juntos o futuro do país".

As celebrações de Natal do Vaticano, a Missa do Galo e a bênção "Urbi et Orbi", são os eventos mais importantes do calendário católico.  Eles encerram um ano turbulento no Vaticano, marcado por escândalos de abusos sexuais de menores dentro da Igreja Católica.

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