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Milhares de bares fecham as portas na Espanha

Milhares de bares fecham as portas na Espanha
 
Bares do centro de Madri, na Espanha. Wikimedia Commons

Um dos hábitos mais comuns da cultura espanhola está começando a cair em desuso. O número de bares do país vem diminuindo desde 2010, segundo um estudo divulgado nesta semana pela Federação Espanhola de Hotelaria. A crise está por trás dessa redução, mas também outros fatores que indicam mudanças sócio-econômicas na Espanha. 

Luisa Belchior, correspondente da RFI em Madri

Cerca de 18 mil bares fecharam as portas em todo o país desde 2010. Isso representa cerca de 10% do total deles existentes hoje na Espanha. Um número bastante significativo para um local que é um dos principais pontos de encontro de espanhóis de diferentes idades e regiões. 

A Espanha tem uma média de quase três bares por cada mil habitantes e, em municípios como Huesca, no nordeste do país, esse número chega a 15 por cada mil habitantes. Mas por enquanto, o estudo da Federação de Hotelaria indica essa ainda é uma tendência.  

Crise econômica 

A crise econômica é apenas uma das causas deste fenômeno, já que ele ocorre desde 2010. Mas, de acordo com o estudo, o fechamento de bares também é ocasionado pelo fato de cada vez mais os espanhóis migrarem dos pequenos municípios - chamados de “pueblos” -, para cidades maiores.

Por muito tempo, os bares foram o ponto de encontro dos habitantes dos “pueblos”. Neles, os moradores não só consomem bebidas e tapas, mas também tomam café da manhã e da tarde, leem jornais, encontram amigos e têm acesso a uma série de serviços, como a compra de bilhetes de loteria e produtos alimentícios.

Com menos moradores em pequenos municípios, muitos estabelecimentos foram obrigados a fecharem as portas. 

Bares fecham, restaurantes e hotéis abrem

De acordo com o estudo, o fechamento de bares coincide com mais aberturas de restaurantes e hotéis. Só no ano passado, esse setor ganhou cinco mil novos estabelecimentos. Hoje soma 129 mil deles, cerca de mil a mais que os bares. 

O que acontece é que a nova dinâmica demográfica fez com que grandes redes de restaurantes atraíssem mais pessoas, e os bares tradicionais, menos. Em Madri, por exemplo, o surgimento de novos bairros, por conta do novo crescimento imobiliário, vem acompanhado de restaurantes ou cafés de grandes redes. Por outro lado, bares como o Palentino, um dos mais tradicionais do centro de Madri, fecharam as portas este ano.

O relatório aponta que este é um caminho um pouco inevitável, mas mostra que os bares podem ganhar fôlego. Para isso, eles precisam se renovar e buscar um novo público, mais dinâmico e exigente que o anterior. Ou seja, é preciso encontrar novas formas para manter vivo esse velho hábito espanhol. 


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