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Premiê britânica se reúne com líderes europeus para obter novas garantias para Brexit

Premiê britânica se reúne com líderes europeus para obter novas garantias para Brexit
 
A primeira-ministra britânica Theresa May anunciou o adiamanto do voto sobre o acordo final do Brexit REUTERS/Henry Nicholls

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, inicia nesta terça-feira (11) uma série de encontros com líderes dos países da União Europeia em uma nova tentativa de obter garantias em relação ao futuro da fronteira da Irlanda do Norte, e assim prosseguir com seus planos para deixar o bloco europeu.

Correspondente da RFI em Londres
Na tarde de segunda-feira (10), May resolver adiar a votação do acordo final para o Brexit pelo Parlamento britânico, que estava marcada para hoje. A decisão causou espanto e revolta entre políticos da oposição e de seu próprio partido.
Theresa May começa este rápido giro europeu se reunindo com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte.

A primeira-ministra está tentando conseguir dos líderes europeus mais garantias para a questão da fronteira da Irlanda do Norte. Essa é a única fronteira terrestre entre o Reino Unido e a União Europeia, por causa da República da Irlanda, que é membro do bloco.
Atualmente, cidadãos e bens dos dois países circulam livremente pela fronteira. Os dois lados querem que isso continue ocorrendo depois do Brexit, mas o acordo final dos britânicos prevê um mecanismo que acabaria criando uma fronteira com postos de controle caso a livre circulação acabe se provando impossível.

Tratamento preferencial?

As propostas de Theresa May para a Irlanda do Norte foram rejeitadas pelos partidos norte-irlandeses, e também pelos governos autônomos da Escócia e do País de Gales. Eles consideram que, ao evitar uma fronteira entre as Irlandas, o governo do Reino Unido estaria tratando a Irlanda do Norte com privilégios que os outros dois países gostariam de ter, já que votaram contra o Brexit. O acordo também foi rejeitado por membros do próprio gabinete e do próprio partido de Theresa May, o que contribuiu para ela decidir adiar a votação que estava prevista para esta terça-feira no Parlamento, da qual ela sairia derrotada.

Tudo o que o Reino Unido e a União Europeia tinham que decidir a respeito do futuro do país quando deixar o bloco já foi debatido e negociado várias vezes ao longo dos últimos dois anos. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, deixou claro que não pretende voltar à mesa de negociações. Mas afirmou que os líderes europeus pretendem dialogar para facilitar a ratificação do acordo pelo Parlamento britânico. A esperança de Theresa May é que os europeus apresentem novas garantias em relação à fronteira com a Irlanda.

Votação do acordo pelo Parlamento

O governo tinha estabelecido o dia 21 de janeiro como o último dia para que o Parlamento vote o acordo pelo Brexit. Mas os partidos de oposição e alguns parlamentares do próprio partido de Theresa May querem que a votação ocorra antes do Natal. Há um temor de que se o governo deixar a votação para janeiro, e se o acordo for rejeitado pelo Parlamento, o país acabe tendo que deixar a União Europeia em março sem acordo algum.

Para alguns analistas a primeira-ministra deverá deixar a votação para janeiro. Mas o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, disse que se May voltar na semana que vem sem novas garantias, seu partido poderá entrar com uma moção de censura no Parlamento, o que culminaria na convocação de novas eleições gerais. Há também um forte clamor por parte de outros partidos por um novo referendo, que poderia até incluir a opção de permanecer na União Europeia.


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