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Europa

Após modernizar CDU, Angela Merkel deixa o partido sob muitas críticas

media Angela Merkel deve deixar o partido nesta semana REUTERS/Fabrizio

O “reinado” de Angela Merkel, que durou 18 anos, terminará na sexta-feira (7), com a saída da chanceler da presidência da CDU (União Democrática-Cristã). Após o fracasso eleitoral de sua sigla nas últimas eleições, Merkel deixa seu cargo sob muitas críticas, mas com um forte legado no país.

Com informações do correspondente da RFI em Berlin, Pascal Thibaut

Quando Merkel chegou à presidência da CDU, ela era um “óvni”: mulher, protestante, sem filhos. A sigla, na época, era marcada por seus valores tradicionais e católicos. Para muitos, a chanceler de 45 anos representou a porta de transição do partido.

Após renunciar à candidatura em 2002, ela venceu em 2005, com um percentual de votos medíocre, derrubando os sociais-democratas de Gerhard Schröder. Sob o mandato de Merkel como chanceler, que durou 13 anos, a CDU se modernizou.

Apesar de adotar um programa mais liberal no começo, a chanceler se mostrou pragmática economicamente, passando por cima de princípios importantes da CDU, como o salário mínimo, as creches, fortalecimento da igualdade de gênero, serviço militar ou a energia nuclear.

Essas mudanças permitiram ao partido se abrir e tecer novas alianças, sobretudo com os ecologistas. Mas elas irritaram os conservadores da ala liberal da CDU. A abertura das fronteiras para os refugiados, em 2015, foi o começo de uma ruptura fatal no seio da sigla, provocando críticas severas contra Merkel.

Momento histórico

A votação dos 1.001 delegados da CDU, reunidos no congresso de Hamburgo, pode ter uma importância histórica para o país, já que "quem alcançar a presidência do partido mais importante na Alemanha se tornará no longo prazo chanceler", explicou à AFP Eckhard Jesse, cientista político da Universidade de Chemnitz.

Dois candidatos disputam a vitória. Por um lado, Annegret Kramp-Karrenbauer ("AKK"), de 56 anos, secretária-geral do partido, considerada como "Merkel bis", já que defende a mesma linha de centro-direita da chanceler.

Por outro lado, o milionário Friedrich Merz, de 63 anos, que propõe uma guinada à direita da CDU e do país. O jovem ministro da Saúde, Jens Spahn, crítico de Merkel, também quer liderar o partido, mas sua candidatura tem poucas chances.

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