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Outdoors sobre prêmio para retorno de migrantes causam indignação na Alemanha

Outdoors sobre prêmio para retorno de migrantes causam indignação na Alemanha
 
O "cartaz da discórdia", que não deixa claro que a campanha é direcionada aos migrantes que tiveram asilo negado na Alemanha. REUTERS/Fabrizio Bensch

Uma campanha do governo alemão incentivando o retorno voluntário de requerentes de asilo provoca irritação na Alemanha. Painéis e outdoors espalhados em grandes cidades do país anunciam um prêmio adicional para migrantes que até o fim do ano decidirem retornar aos seus países de origem. Várias das peças publicitárias foram alvo de vandalismo e pichações de protesto.

Do correspondente em Berlim

Os painéis publicitários podem ser vistos, sobretudo, em estações de trem, metrô e pontos de ônibus. A principal ilustração é uma faixa composta de bandeiras de vários países, incluindo Rússia, Afeganistão, Egito e Índia.

Os cartazes são escritos em sete idiomas, entre eles, inglês, russo, francês e árabe. O texto, curto, oferece até 12 meses de assistência financeira adicional para moradia no país de origem se o estrangeiro entrar com pedido de retorno até o próximo dia 31 de dezembro. Tudo sob o slogan “Retorno voluntário: seu país, seu futuro, agora!”.

Os críticos aos anúncios afirmam que as peças são genéricas e dão a impressão de se destinarem a todos os estrangeiros que vivem na Alemanha. Isso tem causado reclamações, especialmente entre imigrantes em situação legal.

A campanha, lançada no dia 13 de novembro, é destinada àqueles migrantes que tiveram seu pedido de refúgio ou visto de permanência rejeitado e não estão habilitados a ficar no país. Mas isso não é informado no texto dos outdoors e painéis distribuídos em 80 cidades alemãs.

Desconforto entre imigrantes legais e descendentes

Não só estrangeiros, como também alemães descendentes de imigrantes afirmam que se sentem ofendidos com os anúncios, que parecem convidar a todos os imigrantes a saírem do país em troca de ajuda financeira.

Muitas críticas apareceram nas redes sociais. Alguns outdoors foram depredados, manchados com sacos de tinta e pichados com frases como “Refugiados são bem-vindos” ou “Fiquem na Alemanha”. Partidos políticos, como o Partido Verde, e entidades humanitárias protestaram.

Um abaixo-assinado foi iniciado nesta semana contra a campanha. A petição online reivindicando a suspensão dos anúncios já conta com mais de 20 mil assinaturas. Uma startup de Berlim, cuja maioria dos funcionários é estrangeira ou descendente de imigrantes, afirmou que está planejando uma campanha contra a iniciativa do governo.

Também há críticas acusando a campanha de tratar da questão de forma pouco adequada, dando um espírito de “liquidação de inverno” a um tema delicado, com outdoors que lembram uma promoção comercial quando, na verdade, lidam com um assunto que mexe com destinos humanos e com situações difíceis na vida de refugiados.

O governo alemão já admitiu que errou na promoção de seu programa de retorno voluntário, reconheceu que a campanha, com textos superficiais, dá margem a equívocos e prometeu fazer mudanças.

Queda de inscrições em programa preocupa governo

Programas de auxílio financeiro para quem retorna voluntariamente ao país de origem existem há décadas na Alemanha. O governo decidiu propor um auxílio financeiro adicional para os que decidem retornar à pátria até o final de dezembro possivelmente para responder a uma queda do número de aderentes ao programa de retorno voluntário lançado em 2016, que caiu quase à metade nos últimos meses.

Enquanto em 2017 quase 29 mil pessoas aderiram à iniciativa do governo alemão, apenas 14 mil decidiram deixar o país até outubro deste ano.


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