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Europa

Rússia captura três navios ucranianos e gera crise com Kiev

media A Rússia confirmou ter capturado três navios da Marinha Ucraniana no Estreito de Kerch, que liga o Mar Negro ao Mar de Azov, e admitiu ter feito uso da força na ação. REUTERS/Pavel Rebrov

Kiev pode propor a aplicação da lei marcial ou estado de exceção por 60 dias ainda nesta segunda-feira (26), depois de a Rússia ter confirmado a captura de três navios da Marinha Ucraniana no Estreito de Kerch, que liga o Mar Negro ao Mar de Azov, e admitiu ter feito uso da força na ação. Segundo Moscou, a fronteira russa foi desrespeitada, o que justificou o ataque, que deixou pelo menos três feridos.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, reuniu seu Conselho de Segurança e Defesa nesta noite, propondo a adoção da lei marcial (estado de exceção), que abre a possibilidade mobilizar as forças armadas se necessário. A proposta também será feita ao Parlamento na tarde desta segunda-feira (26).

De acordo com os serviços de segurança russos (FSB), os navios ucranianos não teriam respondido aos alertas dos navios de autoridades russas, que pediram às embarcações que parassem. "Para obrigar os navios militares ucranianos a parar, foram usadas armas", declarou a FSB, afirmando que "os três navios da Marinha ucraniana foram revistados".

Os feridos receberam atendimento médico, segundo as autoridades russas. “Os navios Berdyansk, Nikopol e o Yani Kapu tentaram novamente, realizar ações ilegais nas águas internacionais russas", indicaram as forças de segurança russas. O governo russo reabriu a navegação no estreito de Kerch nesta segunda-feira (26). O presidente ucraniano, Petro Porochenko, "denunciou um ato agressivo da Rússia, buscando uma escalada premeditada" e convocou neste domingo (25) seu gabinete militar, segundo comunicados oficiais. Os três navios foram capturados.

A Marinha ucraniana acusou a Rússia de atirar contra a embarcações que tentavam entrar do Mar Negro no Estreito de Kerch, que separa a Crimeia da Rússia e marca o acesso ao Mar de Azov. "Os navios blindados de artilharia 'Berdiansk' e 'Nikopol' foram atingidos por disparos do inimigo e não podem mais navegar. O rebocador 'Iany Kapu' teve que parar", informou, em um comunicado, a Marinha ucraniana.

As tensões no Mar de Azov se intensificaram neste domingo. A Ucrânia acusou a Rússia de colidir contra um navio ucraniano e, em seguida, impedir sua passagem no mar situado entre a Crimeia e o leste da Ucrânia, cenário de uma guerra com os separatistas pró-russos.

Segundo a Marinha ucraniana, os guardas fronteiriços russos se chocaram neste domingo (25) contra um de seus rebocadores no mar Negro, em frente à Crimeia, anexada em 2014 a Moscou. A Ucrânia acusa a Rússia de organizar ações agressivas contra navios ucranianos, para impedir o acesso ao mar de Azov.

UE e Otan pedem reabertura de passagem

Em Bruxelas, a União Europeia e a Otan pediram a Moscou que restaurasse a passagem" no estreito de Kerch. A Otan também fez um apelo pela “diminuição das tensões ", através de um porta-voz. Os acontecimentos no mar de Azov mostram aonde pode levar "o desprezo às regras de base da cooperação internacional", considerou a UE em seu comunicado, destacando que "a construção da ponte de Kerch pela Rússia foi efetuada sem o consentimento da Ucrânia e constitui uma nova violação da soberania e da integridade territorial" deste país.

A UE "não reconhece e não reconhecerá a anexação ilegal da Crimeia pela Rússia", concluiu o comunicado. A Otan declarou, por sua vez, "apoiar totalmente a soberania da Ucrânia e sua integridade territorial, inclusive seus direitos de navegação em águas territoriais". "Pedimos à Rússia para garantir um acesso sem obstáculos nos portos ucranianos no mar de Azov, conforme a lei internacional", concluiu uma porta-voz da Otan.

(Com informações da AFP)

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