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Reino Unido: movimento para novo referendo sobre Brexit cresce, mas premiê nega nova consulta

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Reino Unido: movimento para novo referendo sobre Brexit cresce, mas premiê nega nova consulta
 
Mais de 70 mil britânicos foram às ruas contra o Brexit (Foto: Reuters)

No Reino Unido, o movimento que pede um segundo referendo sobre o Brexit ganhou um novo impulso depois de uma marcha que reuniu cerca de 700 mil pessoas no centro de Londres. A primeira-ministra britânicaTheresa May decidiu se dirigir ao Parlamento nesta segunda-feira (22) e, em um movimento pouco comum, adiantou à imprensa detalhes do discurso.

Maria Luísa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

A premiê britânica deve afirmar que 95% dos protocolos do acordo de saída da União Europeia já estão resolvidos. Mas a verdade é que faltando menos de seis meses para que os britânicos saiam da União Europeia, o país continua sem saber como serão resolvidas questões fundamentais, como o acesso ao mercado comum, o trânsito de cidadãos e a fronteira da Irlanda do Norte.

A marcha no sábado (22) foi a maior manifestação pública no Reino Unido nos últimos 15 anos. Ela foi organizada por um movimento suprapartidário chamado People’s Vote, ou “Voto do Povo”, em tradução literal. O grupo foi fundado por parlamentares dos dois partidos rivais, o Conservador e o Trabalhista, e conseguiu o apoio de empresários e celebridades.

A campanha pede que os britânicos tenham o direito de dizer, nas urnas, se aprovam ou não o acordo final que o Reino Unido venha a fechar com a União Europeia antes de sair do bloco, em 29 de março de 2019. Na prática,seria uma espécie de segundo referendo e poderia haver até a possibilidade de o Brexit ser totalmente rejeitado.

Uma pesquisa divulgada no sábado, antes da marcha, mostrou que 47% dos eleitores acreditam que o resultado do referendo de 2016 foi um equívoco, contra 41% que acham que foi uma boa decisão. Mas a mesma pesquisa indica que 43% preferem que haja um novo referendo do que sair da União Europeia sem nenhum acordo ou com o acordo que o governo está propondo.

Premiê descarta novo referendo

A primeira-ministra Theresa May já afirmou várias vezes que não aceita a possibilidade de um novo referendo. Mas, na realidade, cabe ao Parlamento tomar essa decisão. O impedimento, por enquanto, é o fato de que ainda não há uma maioria de parlamentares favorável a um novo referendo. Dentro do Partido Conservador, muitos parlamentares acreditam que é melhor esperar para ver qual será o acordo final fechado com a União Europeia para daí debater a proposta de uma nova consulta pública.

Já entre os Trabalhistas, muitos enfrentam um dilema: alguns apoiam pessoalmente a realização de um novo referendo, mas só estão no Parlamento porque foram eleitos para representar regiões do país que votaram pela saída da União Europeia e não querem trair seus eleitores. Também não ajuda o fato de o líder do partido, Jeremy Corbyn, adotar uma postura pouco incisiva no sentido de conduzir seus parlamentares para um voto anti-Brexit.

A campanha pelo novo referendo quer agora se concentrar em fazer lobby nestas duas frentes: os Trabalhistas e os Conservadores que ainda estão em cima do muro. Só conquistando uma maioria de parlamentares favorável a um segundo referendo é que isso poderá se tornar realidade.

Acordo final de novembro foi cancelado

Na semana passada, os líderes do bloco disseram que as propostas britânicas ainda não avançaram o suficiente. A conversa final que os dois lados queriam ter em novembro foi cancelada. A premiê Theresa May foi bastante criticada e também por ter dito que pretende prorrogar o período de transição de saída do bloco para além de dezembro de 2020.

As críticas vêm tanto de fora quanto de dentro do próprio partido da primeira-ministra. E tanto de políticos que rejeitam o Brexit quanto daqueles que defendem a saída da União Europeia. Ou seja, a cada dia surgem novas notícias sobre como a liderança de May está ameaçada. Os aliados mais próximos dela vêm a público defender a união entre os conservadores, mas aqueles que estão de olho no poder não perdem a oportunidade de bater de frente com Theresa May.


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