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Europa

Coletivo de artistas exige destruição de “balcão de Hitler” na prefeitura de Viena

media A sede da prefeitura de Viena, na Áustria. Wikipedia

Plantado no meio da fachada da imponente prefeitura de Viena, o anexo arquitetônico acabou finalmente por se misturar com a paisagem. Mas uma iniciativa cidadã austríaca causou polêmica nesta quarta-feira (17) ao exigir a destruição de um balcão construído especialmente para um discurso de Hitler, em 1938, do qual ninguém se lembrava mais.

Se o discurso proferido por Adolf Hitler do terraço do palácio imperial, em 15 de março de 1938, para celebrar o Anschluss (a anexação da Áustria pela Alemanha nazista), entrou para a história, ele acabou ofuscando um segundo discurso de Hitler, três semanas depois, em 9 de abril, proferido na prefeitura da capital austríaca.

Para a ocasião, um balcão de madeira circular foi construído especialmente à fachada neogótica do edifício, do qual o ditador novamente se dirigiu à multidão. No entanto, a varanda temporária foi imediatamente desmontada e reconstruída em pedra para perpetuar o evento.

A origem deste apêndice arquitetônico foi gradualmente esquecida até que a iniciativa cidadã do coletivo Memory gaps (Lacunas de memória) exigiu a sua destruição, por ocasião das festividades que celebram o centenário da criação da República da Áustria.

"A remoção da ‘varanda de Hitler’ nos parece adequada como parte das comemorações da fundação da República da Áustria, há 100 anos, em novembro de 1918, e o 80º aniversário do discurso de Anschluss", disse a organização. Memory Gaps, um coletivo de artistas, propõe que o balcão seja utilizado pela última vez com "um discurso de paz", antes de sua demolição.

Prefeitura de Viena foi pega de surpresa

A proposta, publicada pelo diário Kurier nesta quarta-feira (17), pegou de surpresa a prefeitura do município (social-democrata) de Viena. O prefeito declarou que o debate sobre a questão é "bem-vindo”, e sugeriu colocar no balcão uma placa explicativa, contextualizando-o historicamente, em vez de removê-lo.

A chefe da Comissão alemã que investiga a origem de bens saqueados pelos nazistas e promove sua restituição, Eva Blimlinger, também pediu a conservação da varanda: "Este balcão, como muitas outras coisas do Nazismo, faz parte da nossa história ". A anexação da Áustria pela Alemanha nazista foi, na época, saudada por grande parte da população, que reservou a Hitler, um nativo do país, uma recepção triunfante.

A relação da Áustria com seu passado continua a ser um tema delicado: no início de outubro, o vice-chanceler de extrema direita, Heinz-Christian Strache, criou polêmica ao inaugurar um monumento às mulheres, que em 1945, limparam os escombros dos bombardeios, um gesto interpretado como uma reabilitação mascarada de simpatizantes nazistas.

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