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Europa

Igreja Católica alemã pede desculpas pelo abuso sexual de mais de 3 mil crianças

media O ex-papa Bento 16 com seu irmão, o bispo Georg Ratzinger, que liderou o coro infantil Regensburg, onde várias crianças foram abusadas. AFP/Francesco Sforza

A Igreja Católica alemã pediu oficialmente desculpas nesta terça-feira (25), depois da revelação de mais de 3600 casos de abuso sexual em menores.

Lidia Conde, em colaboração para a RFI

"Peço desculpas por todos os erros e por todo o sofrimento causado", disse Reinhard Marx, presidente da conferência episcopal alemã durante a divulgação de um relatório de 365 páginas, que faz um balanço dos casos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. "Os abusos sexuais são um crime devem ser punidos", acrescentou, lamentando que a Igreja tenha se omitido durante tantos anos.

Reunida até sexta-feira em Fulda, região central da Alemanha, a conferência  apresentou um dossiê encomendado pela Igreja há quatro anos, no qual identifica mais de 3.600 vítimas no período entre 1946-2014. "Não é fácil falar sobre abuso sexual na Igreja, mas não devemos "recuar do desafio", disse recentemente o cardeal Reinhard Marx, durante uma missa.

"Deus sofre daquilo que não vimos, do que ignoramos, do que não queríamos acreditar", disse ele, a respeito da "vergonha" para a Igreja que precisa de "um novo começo". Uma linha telefônica de apoio a vítimas e um site dedicado ao assunto serão criados durante a conferência, de acordo com um porta-voz.

A Ministra da Justiça Alemã, Katarina Barley, solicitou a instauração de uma profunda “mudança cultural” dentro da Igreja, em uma entrevista à revista Der Spiegel, exigindo que a entidade garanta que os culpados sejam punidos, inclusive "registrem uma queixa para que o Ministério Público possa lidar com cada caso".

A ponta do iceberg

O relatório é um "documento esmagador de crimes clericais", resume Der Spiegel, que teve acesso ao livro que relata, ao menos, 3.677 vítimas, a maioria meninos com menos de 13 anos, abusados por cerca de 1.670 clérigos. Os números são "chocantes e provavelmente apenas a ponta do iceberg", respondeu Barley.

O grupo de pesquisadores das universidades de Mannheim, Heidelberg e Giessen, que realizaram o trabalho, não teve acesso direto aos arquivos das 27 dioceses alemãs. De fato, ele examinou apenas 38 mil registros e manuscritos selecionados e transmitidos pela Igreja.

Segundo os autores do estudo, a entidade também "destruiu ou manipulou" por muitas décadas documentos relativos a suspeitos e conscientemente "minimizou" a seriedade dos fatos. "Pedimos à Igreja para que finalmente se ocupe do problema", diz Jörg Schuh, porta-voz do Centro de acolhida às vítimas de abuso sexual Tauwetter, descrevendo como "organização criminosa" uma instituição que abrange os crimes cometidos por seus dirigentes.

"Não estou surpresa com este estudo, é bom que possamos finalmente publicar números e entender a extensão do problema. Isso também nos permite ver quantos padres são culpados: o estudo ainda fala entre 4 e 5% do clero alemão", acrescenta.

Escândalos no mundo inteiro

Apenas um terço dos suspeitos enfrentou processos sob a lei canônica, mas as penalidades eram mínimas ou inexistentes. Eles foram frequentemente transferidos para outras dioceses sem que os fiéis fossem avisados ​​do risco que as crianças corriam. O papa Francisco, que não escapou das críticas, convocou recentemente para fevereiro de 2019 uma reunião no Vaticano de todos os presidentes de conferências episcopais do mundo com o tema "a proteção de menores".

A Alemanha já foi abalada por vários casos. Um dos mais conhecidos é o do coro católico de Regensburg, onde, de acordo com um relatório de julho de 2017, pelo menos 547 crianças foram abusadas fisicamente e sexualmente, incluindo estupro, entre 1945 e 1992. O irmão do ex-papa Bento XVI foi acusado de ter fechado os olhos. Mas o bispo Georg Ratzinger, que de 1964 a 1994 liderou este coro milenar de pequenos cantores, assegurou que não tinha conhecimento de abuso sexual.

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