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Em Berlim, congresso sobre violência sexual destaca casos na Igreja Católica

Em Berlim, congresso sobre violência sexual destaca casos na Igreja Católica
 
Segundo o jornal semanário Die Zeit, essa foi a primeira vez que a Igreja Católica alemã deixou que as investigações fossem feitas na sua esfera interna. Reprodução RFI

Começa nesta sexta-feira (14) em Berlim um congresso internacional sobre violência sexual contra menores. Um dos principais assuntos em debate será a pedofilia na Igreja Católica – tema que voltou a impactar a Alemanha esta semana, depois que um novo estudo mostrou que milhares de crianças e jovens foram vítimas de abusos nas últimas décadas no país.

Por Cristiane Ramalho, correspondente da RFI em Berlim

Não é a primeira vez que a Alemanha se confronta com casos de pedofilia dentro da Igreja Católica – em 2010, por exemplo, várias denúncias vieram à tona e chocaram o país. Mas as novas investigações dão uma dimensão ainda mais grave ao problema. Elas cobrem um período de quase sete décadas – desde o pós-guerra até dois anos atrás. E indicam que houve manipulação e destruição de documentos. O que sinaliza que o problema pode ser ainda maior.

Reveladas na quarta, 12, as novas denúncias provocaram indignação no país. E reações críticas de ativistas como Matthias Katsch. Presidente da organização Eckiger Tisch, que representa vítimas de abuso sexual, Matthias fez um apelo pra que a sociedade civil e os políticos cobrem mais transparência da Igreja Católica. Neste sábado, ele participa de um debate sobre o tema no congresso MitSprache.

Com representantes de doze países, o evento acontece nesta sexta e sábado, em Berlim, e vai abrir espaço para o debate em torno das denúncias globais contra a Igreja Católica.

Quase sete décadas de abusos

Os novos casos de pedofilia fazem parte de um estudo que só deveria ser divulgado no próximo dia 25, pela Conferência dos Bispos da Alemanha – que encomendou a investigação. Mas o documento vazou, e foi publicado antecipadamente pelo prestigiado semanário Die Zeit.

Segundo o jornal, essa foi a primeira vez que a Igreja Católica alemã deixou que as investigações fossem feitas na sua esfera interna. Mesmo assim, com limitações, já que os pesquisadores não tiveram acesso direto aos arquivos, que eram consultados por funcionários da instituição. Uma restrição que provocou críticas por aqui.

Para representantes das vítimas, como Matthias, é fundamental que a Igreja libere os arquivos para os investigadores, e permita que o processo seja inteiramente independente. O que não aconteceu nesse caso.

Mesmo assim, o novo estudo já foi considerado um grande avanço. Realizado por uma equipe de pesquisadores de três universidades alemãs, ele mostra que quase 3700 crianças e adolescentes foram vítimas de abuso sexual praticado por pelo menos 1670 padres, monges e diáconos. Com um agravante: a maioria mantinha uma relação religiosa ou de orientação espiritual com eles.

Momento delicado

O novo estudo é divulgado num momento delicado para a Igreja Católica. No mês passado, um relatório mostrou que mais de mil crianças foram vítimas de abusos sexuais cometidos por mais de 300 padres na Pensilvânia, nos Estados Unidos, por mais de 70 anos.

A Igreja Católica vem sendo confrontada há anos por essas denúncias, e a cada novo escândalo aumenta a pressão para que ela avance nas medidas pra combater esses abusos.

Preocupado, o Papa Francisco convocou uma cúpula com bispos do mundo inteiro para discutir a prevenção do abuso sexual e a proteção de menores. A reunião está prevista para fevereiro do ano que vem.

 


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