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Europa

Papa diz que psiquiatria pode tratar homossexualidade que se manifesta na infância

media No avião de volta para Roma, o papa Francisco recomendou psiquiatria para crianças com "orientações homossexuais". Gregorio Borgia/Pool via REUTERS

O papa Francisco gerou uma forte polêmica no domingo (26), ao recomendar que os pais recorram à psiquiatria para tratar as orientações homossexuais que se manifestem durante a infância dos filhos. A declaração gera forte indignação de ONGs LGBT francesas nesta segunda-feira (27).

Em uma coletiva de imprensa no voo de volta de Dublin, onde encerrou o Encontro Mundial das Famílias no domingo, o papa respondeu à pergunta de um jornalista sobre o que ele diria aos pais que constatassem orientações homossexuais em seus filhos. "Eu diria primeiramente que eles rezassem, não condenassem, dialogassem, compreendessem, para acolher o filho ou a filha", respondeu Jorge Bergoglio.

Ao mesmo tempo, o sumo pontífice afirmou que é preciso levar em conta a idade das pessoas. "Quando [a homossexualidade] se manifesta desde a infância, há muitas coisas a serem feitas pela psquiatria, para ver como são as coisas. É diferente de quando se manifesta depois dos 20 anos", reiterou.

O papa também recomendou que as famílias conversem sobre o assunto. "Jamais diria que o silêncio é um remédio. Ignorar seu filho ou sua filha que tem tendências homossexuais é um defeito na paternidade ou maternidade", concluiu.

Homossexualidade não é doença, dizem ONGs

As associações de defesa dos direitos LGBT da França denunciam a irresponsabilidade das declarações do sumo pontífice. "Condenamos essas afirmações que dão a ideia que a homossexualidade é uma doença. Ora, se há uma doença é essa homofobia engessada na sociedade que persegue as pessoas LGBT", reagiu a porta-voz da ONG francesa Inter-LGBT, Clémence Zamora-Cruz.

Segundo ela, as declarações são graves porque elas focam nas crianças, lembrando que "estudos demonstram que o risco de suicídio é mais alto entre os jovens LGBT".

"Graves e irresponsáveis", classifica a ONG SOS Homofobia da França. No Twitter, a organização escreve que as afirmações do sumo pontífice "incitam ao ódio em nossas socidades já marcadas pela homofobia e a transfobia".

"Adoraria que o papa Francisco não usasse os homossexuais para que paremos de falar dos padres pedófilos", diz a présidente da GayLib, Catherine Michaud.

O mesmo tom foi adotado em um comunicado da Associação das Famílias Homoparentais da França. "É impressionante escutar regularmente conselhos e julgamentos morais da Igreja na qual certas pessoas são incapazes de denunciar atos pedocriminais cometidos por padres". Segundo o documento, esses religiosos é que "deveriam ser os primeiros a se beneficiar de tratamentos psiquiátricos".

Papa se recusa a falar sobre acusação de acobertamento de padre

No mesmo avião, o papa se recusou a fazer comentários quando foi questionado sobre as acusações de acobertamento contidas em uma carta aberta publicada no fim de semana. Segundo o documento, assinado pelo arcebispo Carlo Maria Vigano, ex-embaixador do Vaticano em Washington, o sumo pontífice cancelou sanções contra o cardeal Theodore McCarrick, acusado publicamente em julho de cometer abusos sexuais.

"Não direi uma palavra sobre isso. Acho que o comunicado fala por si só", declarou aos jornalistas que o acompanharam no voo.

Na carta aberta, Vigano também acusa o papa de ter  ignorado as advertências internas sobre o comportamento sexual do cardeal com jovens seminaristas e párocos. "A corrupção alcançou o topo da hierarquia da Igreja", diz o arcebispo que também pede a renúncia do sumo pontífice.

"Li esse comunicado esta manhã", declarou o papa aos jornalistas que o acompanhavam na aeronave, em alusão à carta. "Leiam com atenção o comunicado e julguem vocês mesmos", disse. "Vocês têm a capacidade jornalística suficiente para tirar conclusões. É um ato de confiança. Quando o tempo passar e vocês tirarem as conclusões, talvez eu fale, mas gostaria que a maturidade profissional de vocês faça o seu trabalho. Isso lhes fará realmente bem", aconselhou Jorge Bergoglio aos jornalistas.

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