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Europa

Migrantes recusados pela Itália serão divididos entre Albânia, Irlanda e Igreja Católica

media Migrantes a bordo do navio Diciotti desembarcam no porto de Catânia, na Sicília, neste domingo (26). REUTERS/Antonio Parrinello

Os 150 migrantes que estavam bloqueados há cinco dias no navio Diciotti, no porto de Catânia, na Sicília, desembarcaram neste domingo (26), depois de uma longa queda de braço entre a Itália e a União Europeia. Eles serão divididos entre a Albânia, a Irlanda e alojados na Itália pela Igreja Católica. Ao mesmo tempo, a Justiça italiana abriu uma investigação contra o ministro do Interior Matteo Salvini, por "sequestro de pessoas, detenções ilegais e abuso de poder". 

O governo italiano se recusou até sábado (25) a receber os migrantes do Diciotti, a maioria originária da Eritreia. Eles foram socorridos no mar na madrugada do 16 de agosto e aguardavam desde a última segunda-feira (20) uma resposta da Itália para poder desembarcar. No entanto, o ministro do Interior Matteo Salvini foi categórico, exigindo uma maior implicação dos países da União Europeia nas questões imigratórias

Pressionado pela justiça local, na semana passada, Salvini permitiu o desembarque de 27 menores. Mas, alegando que a Itália não viraria um "campo de refugiados da Europa", proibiu os outros migrantes de deixarem o barco em terras italianas. Também ameaçou enviar o barco de volta à Líbia, de onde partiu.

Destino dos migrantes do Diciotti

No sábado, a Albânia, que não pertence à União Europeia, propôs receber 20 migrantes. Logo depois, o ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Simon Coveney, se ofereceu para receber entre 20 e 25 pessoas. A Igreja Católica italiana, sem precisar números, também se dispôs a acolher uma parte dos ocupantes do Diciotti, sem que essa ação apele aos cofres públicos do país.

O desembarque dos migrantes durou toda a madrugada. Todos os ocupantes deixaram o navio e foram levados ao hospital Garibaldi, na Catânia. Segundo a imprensa italiana, há três casos suspeitos de tuberculose e dois de pneumonia, mas os serviços médicos não confirmaram a informação. 

Os migrantes devem ser encaminhados ao centro de acolhimento em Messina, na Sicília e depois encaminhados à Albânia, Irlanda e dioceses da Igreja Católica em várias cidades italianas. 

Matteo Salvini é investigado por sequestro

A Justiça italiana abriu uma investigação contra Matteo Salvini, por "sequestro de pessoas, detenções ilegais e abuso de poder" no caso de migrantes retidos a bordo do Diciotti.  A decisão ocorre após um interrogatório de dois altos funcionários do ministério do Interior, realizado no sábado, em Roma, por Luigi Patronaggio, procurador da promotoria de Agrigento, na Sicília.

A promotoria de Agrigento abriu a primeira investigação sobre o caso para tentar compreender como se deram as instruções e saber quem deu a ordem de proibir o desembarque dos migrantes. "Eles podem me prender, mas não a vontade de 60 milhões de italianos", declarou o ministro do Interior no sábado sobre o suposto apoio popular a sua política antiimigração.

Mais de 650 migrantes chegaram à costa italiana desde 2014. Ainda que esse número tenha diminuído nos últimos anos, o atual governo italiano - uma coalizão entre a ultranacionalista Liga e os populistas do M5E -, pressionam a União Europeia para dividir a distribuição dos refugiados entre os vários países do bloco.

"O próximo navio pode fazer meia-volta e se dirigir para o local de onde partiu porque nosso limite foi atingido", declarou Matteo Salvini. 
 

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