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Europa

Jornais relatam guerra política para construir viaduto alternativo em Gênova

media Vista do viaduto Morandi cortado ao meio após o desabamento. Paola PIRRERA / FACEBOOK / AFP

A catástrofe com a ponte Morandi em Gênova, na região noroeste da Itália, está nas manchetes da imprensa francesa nesta quarta-feira (15), feriado católico em países do sul da Europa, dia da Assunção de Nossa Senhora.

Le Monde critica as declarações cínicas do governo populista italiano. O ministro dos Transportes, Danilo Toninelli, ligado ao Movimento 5 Estrelas, disse que um dos problemas com a ponte era o fato dela ter um tráfego muito intenso de "caminhões poloneses". Mesmo diante da tragédia, os populistas utilizam argumentos antieuropeus para explicar o drama.

O viaduto Morandi, inaugurado em 1967 como uma obra-prima da engenharia, logo apresentou problemas estruturais. Le Monde mostra que desde 1980 foi apresentada uma alternativa ao viaduto Morandi, mas, por motivos políticos, a via chamada "Bretella" nunca saiu do papel. O trajeto passava por bairros de eleitores do Partido Comunista e por isso foi preterido nos investimentos do Estado.

Nos anos 1990, outro projeto de rodovia – "Gronda" – começou a ser debatido. Mas o Movimento 5 Estrelas, hoje no poder, se opôs em 2013, considerando o custo da obra exorbitante. Após longas negociações políticas, a construção dessa via alternativa à ponte Morandi deveria começar no segundo semestre deste ano. Tarde demais.

Le Parisien diz em seu editorial que o drama terrível desse desabamento ensina que a segurança no setor de transportes não é um assunto negociável. O jornal afirma que no caso de Gênova os problemas com o viaduto Morandi foram assinalados por especialistas, e as autoridades italianas não souberam corrigir as falhas. Nos últimos cinco anos, dez pontes desmoronaram na Itália. Le Parisien estima que o governo italiano poderia ter tomado a decisão radical de interditar a ponte, mas se manteve passivo. Agora, a tragédia está consumada.

Corrosão pode estar implicada no acidente

Nas páginas do Libération, o engenheiro francês Michel Virlogeux, autor de projetos monumentais como as pontes estaiadas da Normandia e de Millau, na França, vias suspensas com mais de dois quilômetros de comprimento, reage ao acidente. Para ele, é possível que "um dos cabos do viaduto Morandi tenha cedido sob o efeito da corrosão". Vale lembrar que Gênova fica espremida entre a montanha e o mar.

O francês explica que a obra do arquiteto italiano Riccardo Morandi, concebida em concreto armado, um material que se degrada com o tempo mais do que o aço, já estava ultrapassada quando foi inaugurada, em 1967. Na mesma época, a Alemanha inaugurou pontes mais modernas, destacou Virlogeux.

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