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Espanha busca resposta rápida à chegada recorde de migrantes

Espanha busca resposta rápida à chegada recorde de migrantes
 
Migrantes resgatados perto do Estreito de Gibraltar, ao sul da Espanha. REUTERS/Jon Nazca

O comissário de Migrações da União Europeia, Dimitris Avramopoulos, chega nesta sexta-feira (3) a Madri para discutir com o governo espanhol soluções para a crise migratória no país. Com o fechamento da rota na Grécia e o endurecimento do governo italiano, a Espanha já é a nação europeia que mais recebeu migrantes de forma irregular este ano: 28 mil pessoas. 

Luisa Belchior, correspondente da RFI em Madri

Avramopoulos se reúne com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que no fim de semana visitará cidades do sul do país, onde os centros de acolhimento já atingiram o dobro da sua capacidade. O premiê socialista quis dar uma resposta rápida à chegada recorde de migrantes à Espanha. 

Sánchez define sua política imigratória em dois pontos: a proteção dos direitos humanos e o fortelacimento das fronteiras. Ou seja, por um lado, ele vem afirmando que vai investir em uma política de acolhimento e não vai deixar pessoas naufragadas em alto-mar como, segundo denunciam ONGs, vem fazendo o governo da Itália. 

Por outro lado, Sánchez afirma que é também o momento de fortalecer as fronteiras. A Espanha tem a menor distância por mar entre a Europa e a África. Entre a cidade de Tarifa, no extremo sul do país, e o norte do Marrocos, são apenas 14 quilômetros. 

A primeira medida de Sánchez foi criar novos centros de acolhimento de emergência para os migrantes que chegam no sul, na cidade de San Roque. É um local com camas, refeitórios e atendimento médico com capacidade para até 600 pessoas. Lá, os migrantes pode ficar até 48 horas, enquanto uma equipe da polícia e do governo analisa a situação de cada um. 

Nesta sexta-feira, o governo discute também um plano de reforma da secretaria de Asilo e Refúgio para poder atender todas as solicitações de refugiados que estão chegando. 

28 mil migrantes em 2018

A Acnur, a agência da ONU para Refugiados, já fala em quase 28 mil chegadas na Espanha neste ano. Todo o mês de agosto ainda deve ser bastante crítico, por conta do bom tempo, quando as travessias pelo Mediterrâneo aumentam. 

Há apenas dois anos, o número de entradas aqui na Espanha foi de apenas oito mil pessoas. Em 2015, no início da crise dos refugiados - o maior movimento migratório do mundo desde a Segunda Guerra Mundial -, a Espanha registrou apenas quatro mil entradas. No mesmo ano, cerca de um milhão de pessoas chegaram à Europa pelo mar, principalmente na Grécia e na Itália. 

Espanha é nova rota dos migrantes

No início, a rota da Grécia era a mais buscada, sobretudo por refugiados sírios. Eles chegavam até a Turquia e, de lá, faziam travessias de apenas quatro quilômetros até ilhas gregas pelo mar. Como alternativa, buscavam também a travessia entre a Líbia e o sul da Itália. 

Depois de diversas tentativas de dar uma solução ao problema, a União Europeia assinou um acordo com a Turquia para devolver a esse país qualquer pessoa que entrasse de forma ilegal em território grego em troca de ajuda financeira ao governo turco. O compromisso foi muito criticado por ONGs e institutos migratórios, mas bloqueou essa rota. 

Por outro lado, o novo governo italiano, anti-imigração, vem defendendo medidas duras contra a chegada de migrantes às costas da Itália e delegando à guarda costeira líbia a vigilância da rota e o resgate de migrantes que, por isso, são levados de volta à Líbia. Com isso, a rota da Espanha foi a solução natural para muitos migrantes. 

Como se trata de um trajeto que passa por boa parte pelo centro e o norte da África, o perfil dos migrantes mudou um pouco: em vez de sírios, a maioria agora é de cidadãos africanos e também muitos menores de idade. 

Menores abandonados

A situação dos menores de idade também é crítica. Muitos deles são até abandonados pelos seus pais para que possam ficar na Europa. A Espanha já registra sete mil menores desacompanhados que entraram o país este ano. 

Isso vem acontecendo em cidades do sul mas sobretudo em Ceuta e Melilla, as duas cidades espanholas que ficam no norte da África. Lá, como há uma fronteira por terra, são frequentes os casos de pais que entram ilegalmente com seus filhos, muitos deles ainda crianças. Como sabem que serão expulsos mas as crianças não, eles voltam a seus países de origem, deixando as crianças em território europeu. 

Há também muitos adolescentes fazendo a travessia sem o acompanhamento de responsáveis. Por isso, nesta sexta-feira, o governo espanhol anunciou também que vai criar mais centros específicos para receber os menores, já que os de Ceuta e Melilla já estão com o triplo da sua capacidade máxima. 

A questão é o grande assunto aqui neste verão aqui na Espanha, que tenta encontrar uma solução e, sobretudo, dar uma vida melhor a essas milhares de pessoas que arriscam suas vidas nessas travessias. 

As ONGs espanholas também estão atuando fortemente, sobretudo no resgate. Uma delas, a Open Arms, vem se destacando por já ter salvo mais de duas mil pessoas em alto-mar e trazido para costas da Espanha.  


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