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Europa

Sobreviventes dos incêndios na Grécia buscam por culpados

media Região balneária de Mati na Grécia após os incêndios que deixaram 82 pessoas mortas FLYGREECEDRONE/via REUTERS

O governo grego afirmou que há indícios de que os incêndios que mataram pelo menos 82 pessoas tenham sido provocados pelo homem. O ministro da Ordem Pública, Nikos Toskas, disse que imagens de satélite mostram sérios indícios que corroboram essa tese. Em uma área florestal ao oeste de Atenas, em menos de meia hora foram noticiados 13 focos diferentes, todos alinhados paralelamente à estrada. Após o trauma, muitos moradores querem identificar os culpados.

Charlotte Stievenard, enviada especial da RFI a Atenas

Sentado em um banco ao lado da prefeitura de Rafina, a 45 minutos de Atenas, o aposentado Dimitris lamentou a morte de seu amigo, que perdeu a vida tentando resgatar os vizinhos. Para ele, a quantidade de árvores na região fez com que o fogo se alastrasse rapidamente. “É uma floresta com pinheiros de 15 metros, e que estavam colados uns aos outros. Não havia nenhuma chance de controlar o fogo”, afirmou Dimitris.

Pinheiros

O aposentado não esconde a raiva de ver que a região não possui um plano de evacuação. Quase todas as cidades foram construídas de maneira improvisada. O vice-prefeito Giorgos Chacholakis admite a falta de planejamento, mas também coloca a culpa na quantidade enorme de pinheiros. “O fogo se alastrou pois toda a área é coberta de pinheiros. Eu estava aqui, vivi tudo isso. Pelo que sei, a velocidade do vento chegou a 100 km/h e formou redemoinhos, o que fez com que o fogo fosse para todos os lados”, explicou o político.

O Corpo de Bombeiros está tentando determinar qual foi a causa do início do incêndio. Os fortes ventos nessa área provocaram uma "situação extraordinária" e dois focos arrasaram a população em apenas uma hora e meia, segundo comentaram em entrevista coletiva o porta-voz do governo, o chefe da polícia grega e o chefe do Corpo de Bombeiros.

Recorde de mortes

O número de mortos por causa dos incêndios na região de Ática, na Grécia, já chegou a 82. O incêndio foi considerado o mais mortal registrado na Europa neste século. Muitos corpos ficaram tão carbonizados que ainda é difícil identificar as vítimas.

A revista das casas nas zonas afetadas continua. Mais de 300 bombeiros, socorristas e voluntários estão examinando uma a uma as moradias arrasadas pelo fogo. Segundo o ministério de Infraestruturas informou à agência Efe, quase metade das construções no local atingido se tornaram inabitáveis. As pessoas tentaram fugir em direção ao mar. A maioria dos sobreviventes ficou impotente e aterrorizada dentro da água, observando as chamas durante horas. Algumas pessoas nessa situação chegaram a se afogar

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