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No jantar de Putin e Trump em Helsinque quem está no cardápio é a Europa

No jantar de Putin e Trump em Helsinque quem está no cardápio é a Europa
 
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente Vladimir Putin, da Rússia. Foto do 11/11/17 durante a Cúpula da APEC em Danang, no Vietnã. REUTERS/Jorge Silva/File Photo

O estranho encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin em Helsinque parece ter mais a ver com um show de televisão do que com uma agenda substantiva. Tem tudo de um capricho do lourão da Casa Branca que acha que é dono do mundo. Trump nunca escondeu a sua admiração por Putin, um dirigente autoritário e machão que atropela tranquilamente todas as regras e instituições, e faz questão de se comportar como se estivesse acima das leis.

A única coisa que conta é a relação de forças nua e crua. Um experiente diplomata americano comparou uma conversa com os russos a uma “negociação com a Máfia”. Só que esse tipo de queda de braço é o sonho dourado de Trump.
O magnata-presidente virou rico nas negociatas brutais do mercado imobiliário americano e quer agora aplicar a mesma receita na diplomacia internacional. Uma técnica que ele tentou recentemente com o ditador da Coréia do Norte. O sucesso midiático foi enorme, mas por enquanto, não saiu nenhum coelho dessa cartola.

O primeiro problema do hóspede da Casa Branca é que o seu próprio governo e o Congresso consideram que Moscou é uma das principais ameaças à segurança e aos interesses dos Estados Unidos. O Senado impôs sanções econômicas à Rússia (contra a vontade de Trump), enquanto os generais do Gabinete presidencial e os chefes dos órgãos de inteligência denunciam os atos de guerra cibernética russos.

Há poucos dias, o procurador Mueller, encarregado de investigar as ingerências russas nas eleições americanas, decidiu indiciar 12 agentes da inteligência militar russa. Mas o “Donald” não quer saber de nada: até os seus conselheiros mais próximos reconhecem que não têm mais condições de monitorar e discutir o relacionamento direto do presidente com Putin.

Agenda implícita e perigosa: o futuro do continente europeu

É claro que razões não faltam para falar com o Kremlin. Nem que sejam os dossiês da “guerra híbrida” lançada pela Rússia na Ucrânia com a anexação da Criméia, do futuro da Síria e da presença iraniana nesse país, do afrouxar das sanções econômicas, da nova corrida armamentícia nuclear, ou da ideia defendida por Trump de uma reintegração da Rússia no G-8 – o seleto grupo dos grandes países industrializados.

Sem falar nas interferências russas, nos processos eleitorais europeus e americano. Só que nenhuma dessas questões pode ser resolvida com uma simples “canetada” presidencial. Ainda vai ser preciso convencer os aliados europeus e asiáticos o Legislativo, a Justiça, o Pentágono e a comunidade de inteligência dos próprios Estados Unidos.

Se algum anúncio de acordos espetaculares sair da cúpula de Helsinque, vai ser só para inglês ver. Na Rússia, vai ajudar Putin a mostrar que virou respeitável e a recuperar uma queda brutal de popularidade depois da decisão de aumentar a idade da aposentadoria. Para Trump é mais um trunfo para mobilizar o seu eleitorado para as próximas eleições parlamentares de meio-mandato que vão definir o resto de sua presidência.

Só que existe também uma agenda implícita e muito mais perigosa: o futuro do continente europeu. Putin está claramente tentando dividir e enfraquecer a União Europeia e a própria Aliança Atlântica. O objetivo e restabelecer a influência de Moscou no Velho Continente. O problema é que Donald Trump também está numa linha parecida. Como o dirigente russo, o americano também apoia abertamente os movimentos nacionalistas e populistas europeus.

Fragmentação europeia

A ideia é fragmentar a integração europeia para poder impor a cada país europeu, de maneira bilateral, a sua visão estreita dos interesses americanos. Engolir a Criméia de um lado e, do outro, declarar que a Alemanha é “prisioneira da Rússia” porque compra gás de Moscou em vez de comprar nos Estados Unidos, é cara e coroa da mesma moeda. Uma coisa é certa: no jantar do autocrata russo com o aprendiz de autocrata americano quem está no cardápio é a Europa. E com ela, o resto do mundo que só tem cacife para ficar olhando.


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