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Europa

Itália: governo doa barcos ao governo líbio na luta contra imigração clandestina

media Mulheres desembarcam do navio Aquarius, da ONG SOS Mediterrâneo, na Espanha RFI / Juliette Gheerbrant

O governo italiano decidiu doar 12 embarcações de patrulha à Líbia para contribuir com a luta contra a migração ilegal no Mediterrâneo. A decisão foi adotada por meio de um decreto, depois de uma reunião ministerial que aconteceu nesta segunda-feira (2) à noite.

A medida "tem como objetivo fortalecer a capacidade operacional da Guarda Costeira líbia, de modo a garantir a correta gestão da dinâmica da migração", segundo o governo italiano. O decreto "dá prioridade à necessidade de lutar contra o tráfico de pessoas, preservar a vida humana no mar e conter a pressão migratória", acrescenta o comunicado. O governo italiano se encarregará da manutenção das 12 embarcações, assim como do treinamento das forças líbias.

Segundo o Ministério de Transporte e Infraestrutura da Itália, ao qual a Guarda Costeira é subordinada, o custo total da operação será de € 2,5 milhões. "Estamos conscientes de que isso não é suficiente e de que é preciso trabalhar mais para conseguir estabilizar a situação, fortalecer o Estado de direito e garantir a dignidade das pessoas que se encontram no nascente Estado da Líbia", afirmou o ministro Danilo Toninelli, segundo a declaração.

Pouco depois do anúncio, a Líbia informou que 63 pessoas morreram neste domingo (1) em um novo naufrágio, elevando para 170 o número de migrantes que se afogaram apenas no fim de semana. Segundo as autoridades líbias, foram resgatados 41 migrantes que usavam coletes salva-vidas.

Os resgatados contaram que havia 104 pessoas na embarcação, até naufragar próximo a Garabulli, cerca de 50 quilômetros ao leste de Trípoli. Há meses, essa região é o principal ponto de saída de embarcações lotadas de migrantes que se arriscam a tentar a perigosa travessia do Mediterrâneo para chegar à Itália.

Além dos 41 resgatados, um navio da Guarda Costeira líbia atracou na segunda-feira em Trípoli com outros 235 imigrantes a bordo - incluindo 54 crianças e 29 mulheres-, resgatados em outras duas operações na mesma zona.

Criação de centros

No último dia 29, os representantes da União Europeia chegaram a um acordo que prevê que os imigrantes resgatados em águas internacionais sejam transferidos para plataformas financiadas pela UE, onde se fará uma seleção entre os migrantes que podem obter asilo na Europa e os migrantes econômicos.

O problema é que, até agora, nenhum país fora da UE se ofereceu para acolher essas plataformas. Marrocos e Albânia já anunciaram que são contrários às medidas. Há muitas interrogações entre os países europeus sobre se estas "plataformas" e os desembarques fora da Europa são compatíveis com o Direito Internacional.

(Com informações da AFP)

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