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Europa

Programa populista de 100 bilhões de euros na Itália estremece a Europa

media O presidente Sergio Matarella faz consultas para formar um governo desde março na Itália. REUTERS/Vincent Kessler

Os jornais desta terça-feira (22) demonstram preocupação com a possível chegada de um chefe de governo populista, anti-imigração e eurocético na Itália. O presidente italiano, Sergio Matarella, deve anunciar nesta semana se aceita ou não a indicação do advogado e professor de Direito Giuseppe Conte, 54 anos, figura desconhecida dos italianos, mas apontada pelo Movimento 5 Estrelas e o partido de extrema-direita Liga para governar a Itália.

Os dois partidos vencedores das eleições legislativas de março firmaram um programa de governo de 58 páginas, pautado em 30 medidas, que custarão caro aos cofres públicos, sem dizer de que maneira irão financiá-las, adverte o diário econômico francês Les Echos. Giuseppe Conte seria um primeiro-ministro subordinado aos interesses de Luigi di Maio, líder do 5 Estrelas, e de Matteo Salvini, chefe da Liga.

O jornal detalha as propostas que encantam os eleitores italianos, mas que deixam alguns vizinhos de cabelo em pé. Entre elas estão a revogação da reforma que havia adiado a idade da aposentadoria. Em 2019, a idade mínima passaria para 67 anos, mas os populistas querem reintroduzir os 60 anos. Outras medidas consideradas caras seriam a reforma fiscal, baseada em duas alíquotas, 15% para pessoas físicas e 20% para empresas; um programa de renda mínima de € 780, cerca de R$ 3.400, para os desempregados e idosos pobres; e a abertura de centros dedicados à expulsão de 500 mil migrantes.

Outras medidas que preocupam são o realinhamento da Itália à Rússia, em detrimento da política de sanções da União Europeia contra Moscou devido à adesão da Crimeia; uma reforma judicial, ampliando as penas para os crimes de corrupção, roubo e violência sexual; além de uma reforma institucional, reduzindo para 400 o número de deputados – contra 630, atualmente – e 200 senadores (contra 318).

Em seu editorial, Les Echos diz que o coquetel explosivo formado pelo M5S e a Liga pode dinamitar a União Europeia por apresentar um risco sistêmico, ligado ao elevado endividamento da Itália – a dívida do país atinge 132% do PIB. Com uma baixa taxa de crescimento, o governo italiano não teria como arcar com um programa social tão oneroso, argumenta o diário. O mercado financeiro deve rapidamente sinalizar que as medidas de no mínimo 100 bilhões de euros são impraticáveis neste momento na Itália.

Laboratório populista

Le Monde afirma que o programa proposto pelos dois partidos populistas tenta representar uma síntese da retórica ambientalista e das novas tecnologias defendidas pelo 5 Estrelas e as políticas anti-imigração e antimuçulmanos da Liga.

O jornal Aujourd'hui en France questiona em sua manchete se há motivos para temer a posse de um governo populista na Itália. Finalmente, serão os italianos que vão experimentar o que poderia ter acontecido aos franceses, caso Marine Le Pen, da extrema-direita, ou Jean-Luc Mélenchon, da extrema-esquerda, tivessem sido eleitos no lugar de Emmanuel Macron. Os ingredientes que mais preocupam na política de "laboratório" italiana são a inexperiência dos dirigentes populistas e o grau de endividamento da Itália, terceira economia do bloco.

Le Figaro aponta ao menos uma qualidade de Giuseppe Conte: sua experiência jurídica poderia ajudar na chefia de governo, se ele não for bombardeado pelas ambições políticas de Luigi di Maio, o líder do 5 Estrelas, e de Matteo Salvini, chefe do partido de extrema-direita Liga.

De Paris a Berlim, passando por Madri e Londres, o Velho Continente está preocupado com o acordo fechado entre os dois partidos eurocéticos italianos, declara o jornal de esquerda Libération.

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