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Europa

Adolescentes aderem a movimento feminista após estupro coletivo na Espanha

media Revolta com resultado de julgamento incedeia a Espanha. Málaga, Espanha, em 26 de abril de 2018. REUTERS/Jon Nazca

Elas têm 15, 14 e até 13 anos de idade. Cada vez mais adolescentes se identificam e se integram ao movimento feminista “Hermana, yo sí te creo” (“irmã, eu acredito, sim, em você”, em português). A mobilização, comparada ao Mee Too, ganhou força após a justiça do país abrandar a pena de cinco homens protagonistas de um estupro coletivo por considerar que a vítima foi complacente com o ato.

As manifestações sacodem a Espanha desde o anúncio da pena dos cinco agressores, em 26 de abril. A última foi realizada na quinta-feira (11), em Madri. A mobilização exige a revisão da legislação do país, que relaciona estupro à violência. Para os juízes que analisaram o caso da garota que foi obrigada a fazer sexo com o grupo, o caso não passou de um abuso sexual, já que consideraram que a vítima não teria resistido ao ato e, desta forma, o teria consentido.

O movimento ganha agora a participação de estudantes do ensino médio, muito provavelmente porque elas se identificam à história da jovem violentada, uma madrilenha de 18 anos. O palco do crime foi a Festa de São Firmino, em Pamplona, em 2016. A garota voltava para casa quando foi abordada por um grupo de homens com idades de 27 a 29 anos - autointitulado A Manada - que a estuprou no hall de um prédio.

"É preciso educar os meninos"

"Não me parece justo", diz a jovem Laura Hincapié, de 18 anos, que foi ao protesto de quinta-feira na capital espanhola. "Se há cinco homens em volta de você, e se você resiste, pode morrer", diz. Segundo ela, "é preciso educar os meninos para que eles saibam que os direitos são iguais para homens e mulheres". Mas a jovem reconhece que até mesmo seus pais não estão de acordo com a igualdade entre os sexos.

O julgamento do estupro, por três magistrados homens, ressalta o forte machismo que ainda paira sobre a sociedade espanhola. As 300 páginas do processo argumentam, por exemplo, que a vítima teve uma atitude passiva diante dos estupradores. Um dos juízes, explicitamente contra a punição dos agressores, indicou que, nos vídeos da agressão feito pelo próprio grupo, a jovem permaneceu de olhos fechados e gemeu, o que, para o magistrado, poderia indicar que ela estava "sexualmente excitada".

A defesa também tentou convencer a opinião pública a culpabilizar a vítima, divulgando informações como o fato de ela voltar sozinha às 3 horas da manhã e ter permitido que os agressores a acompanhassem até seu carro. Também alegaram que ela havia bebido sangria durante na noite da agressão. Os advogados chegaram a exibir fotos da jovem sorridente, meses após o caso, na tentativa de mostrar que não foi abalada pelo episódio.

Espanholas não querem mais se calar

"Eu não bebo álcool, mas gostaria de, bêbada ou não, estar em segurança na rua", diz Laura Arnaiz, de 13 anos, outra a aderir a manifestação de quinta-feira. A menina foi ao protesto acompanhada da mãe, Toni Gonzalez, de 45 anos, para quem a mobilização massiva mostra que as espanholas não querem mais se calar "com medo ou vergonha" diante das agressões.

De fato, as denúncias de estupros estão em progressão na Espanha. No ano passado, 1.382 casos foram registrados no país. Segundo o governo espanhol, houve um aumento de 10,6% em relação a 2016.

Diante da amplitude do caso do estupro coletivo, o governo de Mariano Rajoy anunciou que avalia a possibilidade de modificar a legislação em vigor. O ministro espanhol da Justiça, Rafael Catala, deu recentemente seu aval para que a Comissão General de Classificação de Crimes estude a atualização dos artigos sobre agressões sexuais, que datam de 1995.

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