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Europa

Grupo separatista basco pede desculpas às vítimas; em quase 60 anos, o ETA fez 850 mortos

media Uma pixação pró-ETA é coberta por um servidor municipal de Guernica, no País Basco espanhol, em outubro de 2011 REUTERS/Vincent West

Quase 60 anos após sua criação, em 1959, e sete anos depois de renunciar à luta armada, o ETA pede desculpas às vítimas pela primeira vez nesta sexta-feira (20). A luta da organização basca contra o Estado espanhol e pela independência do País Basco e Navarra fez mais de 800 mortos.

"Estamos cientes de provocar durante este longo período de luta armada muita dor e danos irreparáveis", escreveu o ETA (Euskadi Ta Askatasuna ou Pátria e Liberdade em português) em um comunicado histórico para a Espanha.    

É um verdadeiro mea culpa. Nunca em sua história, o ETA, nem mesmo seu braço político Herri Batasuna, pedira perdão. A cada vez que se expressavam, a mesma declaração ambígua dos separatistas bascos evocava o arrependimento da dor provocada, mas ao mesmo tempo justificava a necessidade da luta armada.

Desta vez, é um completo questionamento de 40 anos de ações terroristas, tiros no pescoço, bombas embaixo dos carros, bombas colocadas nas guarnições da guarda civil. No total, foram cerca de 850 mortes, principalmente de policiais e autoridades eleitas.

"Essas ações violentas nunca deveriam ter acontecido", diz a declaração do ETA. Uma declaração que lamenta o dano e pede desculpas às vítimas. Os separatistas também dizem que lamentam "o sofrimento desproporcional e por tanto tempo".

O ETA já havia anunciado o fim dos ataques em 2011 e havia respeitado desde então a decisão. Mas foi o passo que faltou: o pedido de perdão.

Reações

O governo do conservador Mariano Rajoy, que sistematicamente recusou, desde 2011, qualquer negociação com o grupo armado e exigiu sua dissolução sem compensação, por sua vez celebrou a vitória do "estado de direito".    

"Esta é apenas mais uma consequência da força do estado de direito que derrotou o ETA com as armas da democracia", disse ele, acrescentando que "o grupo terrorista" deveria ter se pronunciado neste sentido bem antes. 

"Acho vergonhoso e amoral fazer essa distinção entre aqueles que merecem uma bala na nuca, uma bomba debaixo do carro e aqueles que foram vítimas por acaso", respondeu Maria del Mar Blanco, da Associação de Vítimas do terrorismo (AVT), cujo irmão, Miguel Angel Blanco, foi morto em 1997, após um sequestro seguido por toda a Espanha.

O pedido de perdão e a dissolução que deve ocorrer num futuro próximo permitirão, esperam os parentes de membros detidos do ETA, um desenvolvimento da política penitenciária da Espanha e da França, por meio de uma transferência de prisioneiros para prisões perto da casa deles e liberdade condicional para aqueles que não cometeram crimes de sangue.

O fim do ETA também poderia ajudar a esquerda separatista basca, que enfrenta novas eleições municipais em 2019.    

Ditadura franquista

O ETA, criado durante a ditadura de Franco, matou pelo menos 829 pessoas em nome de sua luta pela independência do País Basco e Navarra, segundo as autoridades.

Também deixou milhares de feridos em atentados no País Basco, no resto da Espanha e na França, seqüestros orquestrados, extorquindo líderes empresariais, ações que se intensificaram na década de 80. e 1990, após o retorno da democracia na Espanha.

Este período sombrio, marcado por ações quase diárias, foi acompanhado de execuções extrajudiciais e tortura contra membros do ETA e simpatizantes, atribuídos aos comandos paramilitares.

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