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Europa

Em Malta, corrupção tem até venda de passaporte europeu

media Protesto pela morte da jornalista Daphne Galizia, que realizava investigações contra o poder e foi assassinada em Malta. REUTERS/Darrin Zammit Lupi/File Photo

Um grupo de 45 jornalistas de 18 veículos do mundo inteiro publica os resultados de investigações realizadas pela jornalista e blogueira maltesa Daphne Caruana Galizia, especialista em desvendar casos de corrupção na pequena ilha e assassinada há seis meses. Integrante do “Projeto Daphne”, que visa batalhar por justiça pela morte da repórter e dar continuidade ao trabalho dela, o diário francês Le Monde traz detalhes sobre um negócio lucrativo que chegou às altas esferas do poder de Malta: a venda de passaportes do país, membro da União Europeia.

Com o documento, comercializado por € 1 milhão, o cidadão tem acesso livre ao espaço europeu. Segundo o Monde, “um programa de venda de passaportes foi implementado pelo governo trabalhista maltês em 2013, forjado à imagem do modelo em voga no Caribe, São Cristóvão e Nevis e Antígua e Barbuda”. O modelo consiste em oferecer o documento em troca de residir pelo menos um ano na ilha, como estipula a regra da Comissão Europeia para os pedidos de naturalização, e pagar a soma em dinheiro.

A condição de residência, no entanto, é raramente respeitada. Foi desta forma, revela o jornal francês, que o milionário russo Arkady Yurievich Volozh, dono do Yandex, o Google russo, “comprou passaportes para toda a sua família em 2016, inclusive seus pais e filhos”.

Livre circulação, impostos vantajosos e prosperidade nos negócios

A família, porém, nunca foi vista em Malta – com frequência, os endereços apresentados pelos candidatos à cidadania correspondem a casas abandonadas. Além do livre acesso aos 27 países do bloco europeu, o passaporte maltês oferece as amplas vantagens fiscais dos moradores da ilha. Empresários costumam comprar o passaporte para facilitar os negócios na União Europeia.

“O programa, lucrativo, mas arriscado, instalado em uma ilha corroída pela corrupção, se destina a atrair o capital estrangeiro para estimular a economia e, no papel, foi concebido para proteger os seus cidadãos da instabilidade de seus países-natais. No entanto, ele foi desviado do seu objetivo”, explica o texto.

A reportagem indica que o primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, estava diretamente envolvido em uma ação judicial para dispersar a atenção da jornalista Daphne Galizia e, desta forma, impedir a publicação da investigação sobre a venda de passaportes, da qual ele se beneficiava.

Jornalista morre em carro-bomba

Galizia era conhecida como “WikiLeaks solitária” devido suas às reportagens, que geravam transtornos para políticos e empresários malteses. Ela foi assassinada em 17 de outubro de 2017, ao embarcar em seu carro no qual foi instalada uma bomba. Três homens foram presos e acusados pela morte, mas a identidade dos eventuais mandantes do crime permanece um mistério.

Os jornalistas do Projeto Daphne recolheram discretamente os milhares de documentos deixados por ela e se aprofundaram nas investigações iniciadas pela repórter. As matérias começaram a ser publicadas nesta semana em veículos como The Guardian, do Reino Unido, e Radio France, da França. O projeto é coordenado pelo Forbidden Stories, uma rede internacional de jornalistas que dá continuidade ao trabalho de repórteres presos ou assassinados.

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