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Europa

Manifestantes pedem em Barcelona libertação de separatistas e diálogo com Madri

media Manifestantes participam de protesto em Barcelona para exigir libertação de personalidades do movimento separatista catalão. REUTERS/Albert Gea

Milhares de pessoas participam de uma manifestação neste domingo (15) em Barcelona, na Espanha, para exigir a libertação de nove personalidades do movimento independentista catalão detidas desde outubro passado. A multidão também quer a abertura de um diálogo com Madri sobre a crise política na Catalunha.

"Liberdade para os prisioneiros políticos", gritavam milhares de manifestantes em passeata pela Avenida del Paralelo, em apoio aos separatistas em prisão preventiva por seu papel na tentativa fracassada de independência do ano passado.

Os detidos são acusados de "rebelião", crime punível com até 30 anos de prisão, desde que seja comprovado o uso da violência. Alguns também foram indiciados por "peculato" por organizarem o referendo ilegal sobre a independência da região em 1º de outubro.

"Como eles não podem acabar com o movimento de independência, tentam fazer isso judicialmente", disse à agência AFP Roser Urgelles, uma professora de 59 anos. Como ela, milhares de manifestantes usavam uma fita amarela, símbolo de solidariedade com os separatistas na prisão.

A convocação da mobilização foi lançada por uma plataforma criada em março para "defender as instituições catalãs" e "os direitos e liberdades fundamentais". O protesto acabou recebendo o apoio dos dois maiores sindicatos do país, Comisiones Obreras (CCOO) e UGT, o que irritou uma parte dos membros que não militam pela independência.

A mobilização acontece dez dias após a libertação sob fiança do ex-presidente regional separatista Carles Puigdemont, na Alemanha. O tribunal competente considerou que a acusação de "rebelião" evocada pela justiça espanhola não se justificava. A decisão foi um golpe para a justiça espanhola e, na quinta-feira, promotores espanhóis forneceram elementos adicionais aos seus colegas alemães para fundamentar a acusação. Além de rebelião, Puigdemont é acusado de mau uso de fundos públicos, em conexão com a organização do referendo de 1º de outubro.

Militantes presos

Os primeiros a serem encarcerados, em uma penitenciária perto de Madri, foram o ex-presidente da organização separatista ANC Jordi Sánchez e o líder da Òmnium Jordi Cuixart, em 16 de outubro passado. Sánchez está sendo processado por discursar a dezenas de milhares de independentistas que, durante uma manifestação em Barcelona, no dia 20 de setembro, mantiveram um grupo de guardas civis encurralados por horas enquanto revistavam um prédio do Executivo catalão por ordem judicial. Em mensagem enviada da prisão, Sànchez adverte que "um estado autoritário nunca merecerá governar um povo livre".

Sànchez, eleito deputado regional em 21 de dezembro, apresentou-se duas vezes como candidato à presidência da Catalunha, mas em ambas as vezes a justiça rejeitou seu pedido.

A Catalunha está sob a tutela do governo central e sem Executivo regional desde 27 de outubro, quando o gabinete do então presidente Carles Puigdemont foi afastado após a declaração unilateral de independência feita no Parlamento catalão.

Os independentistas renovaram a maioria de assentos no Parlamento nas eleições regionais de 21 de dezembro, mas não conseguiram dar posse a um presidente. Se não houver nomeação até 22 de maio, novas eleições regionais serão convocadas.

Com informações da AFP

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