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Europa

Putin ignora crise com Londres e celebra anexação da Crimeia em seu último comício

media Vladimir Putin durante comício na Crimeia REUTERS/Maxim Shemetov

O presidente russo, Vladimir Putin, fez nesta quarta-feira (14) um de seus raros comícios nesta corrida pela reeleição. O chefe de Estado, que aparece como grande favorito para o pleito que será disputado no próximo domingo (18), escolheu a Crimeia para seu último discurso oficial antes do voto. A crise diplomática com o Reino Unido foi totalmente ignorada.

Enviado especial a Moscou

Apesar da tensão crescente entre a Rússia e o Reino Unido, e de Moscou ter considerado uma “provocação grosseira” a expulsão de 23 de seus diplomatas do solo britânico, o assunto não entrou na agenda de campanha de Vladimir Putin nesta quarta-feira. O chefe de Estado, que deve ser reeleito já no primeiro turno de acordo com as pesquisas de opinião, preferiu se concentrar na imagem de um presidente forte, usando a anexação da Crimeia como um dos pontos altos de seu terceiro mandato.

“Vocês reestabeleceram a justiça histórica que havia sido rompida na época soviética. Vocês mostraram ao mundo inteiro o que é uma verdadeira democracia, pois fizeram um referendo, tomaram uma decisão e votaram pelo futuro de seus filhos”, declarou Putin em alusão ao processo de anexação da Crimeia, em 2014. Deste então, o presidente já visitou a região quatro vezes.

Esse último discurso de Putin foi ainda mais curto que o pronunciado na semana passada em Moscou. Desta vez, o chefe de Estado se contentou em falar por apenas cerca de dois minutos. Mas isso não impediu o público de aplaudir o líder russo, que avançou na corrida presidencial praticamente sem fazer campanha.

Sem fazer promessa aos eleitores, o chefe de Kremlin disse apenas que ainda há muito a ser feito para o desenvolvimento da Crimeia e de Sebastopol. “Mas estamos fazendo e vamos continuar fazendo, pois quando estamos unidos, nos tornamos uma grande força, capazes de resolver os problemas mais difíceis”, lançou Putin aos moradores, que elegem um presidente russo pela primeira vez desde a reunificação.

A anexação da Crimeia é um dos símbolos do mandato que se termina. Mas se aos olhos do presidente ela representa uma prova de força em um país que luta para se manter unido desde o desmantelamento da União Soviética, para a comunidade internacional e Kiev a tomada do enclave é fonte de críticas até hoje. Aliás, os russos ainda se recuperam das sanções impostas tanto pelos Estados Unidos quando pela União Europeia após a anexação.

Mas isso não parece preocupar o presidente-candidato. Prova disso, Putin, que aprecia os símbolos fortes, alterou a lei para que a eleição, que deveria acontecer no início do mês, fosse realizada em 18 de março, dia do aniversário de quatro anos da anexação da Crimeia. 

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