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Jornalista e legista franceses desvendam mistérios sobre a morte de Hitler

Jornalista e legista franceses desvendam mistérios sobre a morte de Hitler
 
A revista francesa L’Obs traz novos esclarecimentos sobre a morte de Adolf Hitler. Fotomontagem RFI

A revista francesa L’Obs traz novos esclarecimentos esta semana sobre as mortes do líder nazista Adolf Hitler e de sua mulher, Eva Braun. Um jornalista e um legista franceses, além de uma jornalista russo-americana, acreditam ter desvendado definitivamente o enigma em torno do desaparecimento do ditador.

O trio de especialistas teve acesso aos restos de Hitler que a Rússia mantém guardados em caixas empoeiradas nos arquivos da FSB (ex-KGB), a agência secreta russa, em Moscou. Após examinar os fragmentos – uma parte de calota craniana e pedaços de mandíbula com tártaro enrijecido –, o legista Philippe Charlier descartou uma série de versões fantasiosas sobre a morte do líder nazista.

O resultado da pesquisa, que também é publicada na imprensa científica, está descrito no livro “A Morte de Hitler e os arquivos secretos da KGB”, dos jornalistas Jean-Cristophe Brisard e Lana Parshina, que acaba de ser lançado na França pela editora Fayard.

A ideia de consultar os arquivos russos foi de Brisard. Ele passou vários anos negociando com as autoridades de Moscou uma autorização para entrar na sede da FSB.

Brisard conta à revista L’Obs que os russos não dão a menor bola para os restos de Hitler, um desprezo que visa evitar qualquer demonstração de respeito pelo ditador. Durante vários anos, o Kremlin omitiu a existência desses ossos. Foi apenas no ano 2000 que o presidente Vladimir Putin decidiu expor essas relíquias ao público, na exposição "Agonia do III Reich", "para assinalar ao mundo o retorno da Grande Rússia à comunidade de nações". Porém, pouca gente teve acesso a esses restos pelo medo dos russos de terem sua autenticidade questionada.

A equipe dos franceses teve sorte. Consultando os arquivos do serviço secreto russo, eles encontraram documentos confirmando que, antes de se suicidar, em 30 de abril de 1945, Hitler ordenou a um ajudante, chamado Gunsche, que os corpos dele e de sua mulher fossem queimados. Em seguida, os cadáveres foram enterrados perto da saída de emergência do bunker do ditador, em Berlim. Por ordem de Stalin, soldados russos desenterraram os restos dias mais tarde.

Nem cianureto nem tiro na boca

A identificação de que se tratava dos corpos de Hitler e Eva foi feita no dia 5 de maio de 1945 pela assistente do dentista do casal, Kathe Heusermann, então prisioneira dos russos. Mas como os corpos carbonizados estavam muito degradados, não foi possível encontrar traços de uso de arma de fogo. Segundo a L’Obs, foi por causa dessa falha que Stalin deixou prosperar as versões de que o casal tinha se envenenado com cianureto, num primeiro momento. Dois meses depois, o líder russo ainda cogitou uma fuga de Hitler para a Espanha, a Argentina ou o Japão. Se o termo já existisse na época, era uma "fake news", notícia falsa.

Depois de analisar os fragmentos de ossos, o legista Charlier é taxativo: Hitler morreu em Berlim, em 1945, portanto não fugiu para lugar algum fora da Alemanha, muito menos para o Brasil. O pedaço de mandíbula e os dentes guardados no edifício Loubianka, sede do serviço secreto russo, são do líder nazista. Já o pedaço de crânio não foi autenticado pelo legista. Charlier diz que o osso é de um homem adulto, mas não tem certeza se era de Hitler. Ele pediu à FSB para fazer um exame de DNA, mas teve seu pedido recusado.

Nos fragmentos da boca, e principalmente no tártaro dos dentes, não foram encontrados traços de envenenamento ou de pólvora que indicassem um disparo de arma de fogo.

Diante desses elementos, a L'Obs conclui que as análises científicas confirmam que Hitler morreu conforme a descrição feita pelo mordomo do casal repetidas vezes: com um tiro na têmpora direita.


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