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Europa

Líder social-democrata provoca primeira crise da coalizão de Merkel na Alemanha

media Líder dos social-democratas alemães, Martin Schulz (dir.), provoca primeira crise na suada coalizão da chanceler Angela Merkel. A imagem é de 7 de fevereiro, data do anúncio conjunto da coalizão em Berlim. REUTERS/Hannibal Hanschke

O líder dos social-democratas alemães (SPD), Martin Schulz, desistiu nesta sexta-feira (9) de assumir a pasta de Relações Exteriores do governo da Alemanha, infligindo uma primeira derrota ao próximo governo da chanceler conservadora Angela Merkel, do partido União Democrata Cristã (CDU), que nem sequer ainda assumiu formalmente o poder. O apoio do partido de Schulz é considerado decisivo para o bom funcionamento da coalizão pretendida por Merkel.

Schulz foi muito criticado nas fileiras de seu próprio partido por reivindicar a pasta ministerial de Relações Exteriores sob a batuta de Merkel, apesar de ter prometido, no final de 2017, que jamais entraria em um governo da chanceler.

O temor da oposição de que a militância social-democrata se pronuncie contra o acordo de coalizão, selado esta semana com sérias dificuldades, pesou mais. Os militantes do SPD devem se pronunciar sobre o texto em uma votação interna que deve acontecer entre 20 de fevereiro de 2 de março deste ano. "Os debates sobre a minha pessoa ameaçam o sucesso da votação. Portanto, declaro que renuncio a entrar no governo", disse Schulz em um comunicado.

Duras críticas

O líder do SPD, que levou o partido ao seu nível mais baixo nas eleições de setembro de 2017, foi atacado por duras críticas na quinta-feira (8) à noite por seu antecessor na liderança dos social-democratas. "O que resta é apenas o arrependimento de ver até que ponto em nosso partido agimos com pouco respeito uns com os outros, além de constatar que a palavra vale pouco, ou nada", julgou o ministro Sigmar Gabriel, furioso de deixar o cargo para Schulz.

Na quarta-feira (7), Martin Schulz já havia abandonado o comando do SPD, um ano depois de seu retorno à arena política nacional, com a ambição de derrubar a chanceler. Esta disputa não favorece Merkel, que só recebe críticas desde o anúncio de um acordo de coalizão, após quatro meses de total incerteza pós-eleitoral.

Vários altos funcionários de seu próprio partido, a União Democrata Cristã (CDU), a acusam de ter feito concessões demais aos social-democratas, oferecendo a eles, entre outras, a pasta de Finanças, com o único objetivo de evitar eleições antecipadas e se manter na chancelaria por um quarto mandato.

Os democrata-cristãos ainda devem aprovar o acordo em um congresso em 26 de fevereiro. É pouco provável que não seja aprovado, mas os mil delegados poderiam reservar a Merkel um áspero debate a que ela não está acostumada. "Não vamos somente assinar", advertiu em declaração ao jornal alemão Bild a deputada Sylvia Pantel.

Sua colega, a influente parlamentar Norbert Röttgen, destaca que dar ao SPD, o grande partido derrotado das legislativas, os ministérios de Justiça, Relações Exteriores e Finanças, tira a autoridade do próprio CDU, que controlará somente os ministérios de Economia e Defesa. "O CDU se encontra estruturalmente enfraquecida no aparato governamental e perde influência", considerou a deputada.

Outro motivo de desgosto é a pouca quantidade de personalidades da antiga República Democrática da Alemanha (RDA) no provável gabinete de Merkel.

Uma despedida de Merkel?

Alguns nomes circulam, mas a chanceler seria a única representante da Alemanha Oriental, uma região onde o sentimento de exclusão continua sendo muito forte, quase 30 anos depois da reunificação e onde a extrema-direita alcançou resultados inéditos com seu discurso contra as elites. "Talvez um dia possamos entender que o leste faz parte da Alemanha", ironizou Gregor Gysi, antigo líder do partido de esquerda radical.

Manuela Schwesig, um socialdemocrata que representa o leste do país, exigiu que um "alemão oriental ou uma alemã oriental seja representado no governo". "Ouve-se por todas as partes este pedido", resumiu Paul Ziemiak, dirigente das juventudes da CDU.

Desde o anúncio do acordo de governo, a imprensa alemã é quase unânime em destacar nessas turbulências uma possível queda da chanceler, confrontada ao desgaste de seu poder.

"Angela Merkel conseguiu: continuará sendo chanceler se os membros do SPD votarem pelo acordo de coalizão. Mas sua despedida do poder começou e, portanto, também o debate sobre sua sucessão", escreveu o influente semanário Der Spiegel.

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