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Montenegro e Sérvia devem se integrar à União Europeia até 2025

Montenegro e Sérvia devem se integrar à União Europeia até 2025
 
Nova estratégia para a oitava expansão da União Europeia, que deve integrar Montenegro e Sérvia até 2025. Facebook European Commission

Montenegro e Sérvia devem ser os próximos países dos Bálcãs a entrar na União Europeia (UE). A Comissão Europeia, que apresenta nesta terça-feira (6) a estratégia para a oitava expansão do bloco, acredita que a integração dos novos membros acontecerá até 2025. Para Bruxelas, a meta é realista, mas também muito ambiciosa. Outros países da região devem iniciar negociações em um futuro próximo. 

Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

A União Europeia é um ambicioso projeto de engenharia política que está unificando o continente. Com mais este passo em direção aos Bálcãs, o bloco europeu estende suas fronteiras e consolida a estabilidade na região, politicamente instável e tão marcada por conflitos étnicos.

Vale lembrar que Eslovênia e Croácia, dois países dos Balcãs, já fazem parte da UE. Mas certamente o aumento da influência da Rússia na região e a importância estratégica dos Bálcãs para a China desenvolver sua nova rota da seda, somado ao desejo de reforçar a integração europeia por causa da saída do Reino Unido, foram argumentos fortes para alavancar esta nova expansão da União Europeia, a oitava desde a criação da Comunidade Econômica Europeia, em 1957. É um passo audacioso de Bruxelas que tem provocado alegria e ansiedade nos países balcânicos. 

Montenegro e Sérvia devem estar prontos para a adesão até 2025, se ambos governos conseguirem "entregar reformas reais e soluções duradouras para disputas com os vizinhos", afirmou a Comissão Europeia. A entrada destas duas nações balcânicas no bloco europeu vai representar o término de um longo processo de transição que começou com o colapso da Iugoslávia e as violentas guerras civis dos anos 90. 

Apesar dos dois países terem conseguido avanços significativos nas negociações com Bruxelas, corrupção, crime organizado e abuso de poder são práticas ainda frequentes em Montenegro e na Sérvia. As autoridades europeias exigem que sejam feitas reformas na administração pública, comprometida pelo nepotismo e clientelismo, e a proteção das minorias, principalmente em uma sociedade multiétnica como a dos Bálcãs. 

Novos candidatos: Albânia e Macedônia 

Albânia e Macedônia devem iniciar as negociações de adesão ao bloco em um futuro próximo. Entre as exigências de Bruxelas, estão as reformas no Judiciário albanês e uma solução na disputa entre Skopje, capital da República da Macedônia, e a Grécia. Os gregos alegam ter direitos sobre o nome por causa de uma província ao norte do país chamada Macedônia. 

O conflito também tem um fundo étnico, já que os nacionalistas gregos não reconhecem que os eslavos, que formam a maioria do povo da República da Macedônia, tenham direito a um nome historicamente ligado à Grécia. O impasse já dura quase três décadas e a ONU está mediando a disputa em busca de uma solução.

Em 2016, a Bósnia-Herzegovina se candidatou à União Europeia, mas ainda não conseguiu obter o status de candidato. Dificilmente esta adesão vai se concretizar. Além de problemas estruturais, a Bósnia se mantêm extremamente dividida com disputas internas políticas entre sérvios, croatas e bósnios muçulmanos. 

O país parece não ter horizontes. Pobreza, corrupção e uma alta taxa de desemprego, que entre os jovens é de 60%. Além deste cenário devastador, a radicalização de islamistas cresce cada vez mais na Bósnia. 

Kosovo é candidato potencial

Considerado candidato potencial à adesão do bloco europeu, o Kosovo ainda não foi reconhecido oficialmente pela Sérvia e parte da comunidade internacional. Esta ex-província sérvia, de maioria albanesa e muçulmana, declarou sua independência unilateral em 2008 após uma guerra violenta e anos de tensões étnicas

A decisão foi aceita apenas por pouco mais da metade dos países que pertencem à ONU. Rússia, China e Brasil, por exemplo, continuam sem reconhecer a independência da região. O governo de Pristina, capital do Kosovo, está pensando em apresentar um pedido formal à Bruxelas para adquirir o status de candidato. Porém, cinco países da UE liderados pela Espanha não reconhecem o Kosovo, o que pode impedir sua entrada no bloco. 

O Kosovo é reivindicado pela Sérvia como a terra de seus ancestrais, o "berço" da nação. Conta a história que por volta do século V os sérvios chegaram aos Bálcãs, mas só conseguiram conquistar a região no século XII, depois do fim dos impérios búlgaro e bizantino. O centro do poderoso reino medieval controlado pelos sérvios era Kosovo. Lá, construíram mosteiros e estabeleceram o patriarcado de sua Igreja Ortodoxa. Porém, o controle mudou de mãos com a chegada dos turcos otomanos e a região viveu quatro séculos sob dominação muçulmana. O Kosovo é uma questão muito sensível para a Sérvia em termos históricos, emocionais. Considerado o centro do nacionalismo sérvio, por vezes comparado à Jerusalém deles. 

Depois de mais 500 anos, o Kosovo retornou ao controle sérvio, em 1912. No entanto, ao contrário da maioria da então Iugoslávia, a composição étnica e religiosa dos kosovares é diferente: de origem albanesa e muçulmana, enquanto os sérvios são cristãos ortodoxos. No final dos anos 90, os Bálcãs foram palco, mais uma vez, de uma guerra violenta com 13.500 mortes. A disputa pelo Kosovo entre os separatistas que lutavam pela independência da província e as tropas de Belgrado, sob o comando do então presidente iugoslavo Slobodan Milosevic. Em 2008, o Kosovo conquistou finalmente sua independência, com a ajuda da Otan. 

Processo de adesão de países da ex-Iugoslávia

No passado recente, Montenegro e Sérvia integravam a ex-Iugoslávia, junto com a Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina e Macedônia.  Em 2006, os montenegrinos fizeram um referendo e decidiram colocar fim na união do país com a Sérvia, terminando assim o último vestígio da federação das repúblicas que um dia foi a Iugoslávia. Sem sangue nem guerra, esse pequeno país montanhoso do Mar Adriático, com pouco mais de 600 mil habitantes, declarou sua independência.

Desde 2012 Podgorica, capital de Montenegro, está em negociações com a União Europeia. Entre os candidatos dos Bálcãs, esse é o país que está com o processo de adesão mais avançado, tendo inclusive recebido elogios de Bruxelas. A nível prático, um país candidato ao bloco europeu tem que preencher condições políticas e econômicas, dispostas em 35 capítulos necessários para completar o processo de adesão. 

Devido ao fato de não ter uma moeda própria, Montenegro - assim como o Kosovo - usa o euro desde que a moeda europeia única foi adotada, em 2002. Outra grande mudança para Montenegro foi o ingresso do país na Otan, no ano passado, apesar da forte oposição da Rússia. Agora, a aliança militar tem o controle de todo o litoral norte do mar Mediterrâneo.

Já o processo com Belgrado, capital da Sérvia, tem sido mais turbulento por causa de sua resistência inicial em colaborar com o Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia e em prender Ratko Mladic, ex-chefe militar dos sérvios na Bósnia, apelidado de "açougueiro dos Bálcãs", condenado ano passado à prisão perpétua por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. A falta de reconhecimento oficial do Kosovo também contribui para o atraso das discussões com Bruxelas. 


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