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Expansão da agricultura está acabando com os pássaros na França

Expansão da agricultura está acabando com os pássaros na França
 
O pintassilgo-americano (Spinus tristis ou Carduelis tristis), também conhecido como pintassilgo oriental ou canário selvagem. wikipédia

Quem já passeou por Paris em poucos dias percebeu: as pombas estão por todo o lugar, mas é raro ouvir o canto dos pássaros. A diminuição das populações de passarinhos é um problema nacional, que atinge principalmente as regiões agrícolas. O cultivo intensivo tem causado a morte de dezenas de espécies a cada ano na França: um terço dos pássaros nativos está ameaçada de extinção. Há 10 anos, o índice era de um quarto. 

O mais recente estudo sobre o tema foi feito na região Nord-Pas de Calais, no norte francês, que tem 72% da superfície ocupada por terras agrícolas. A consequência é desastrosa para os pássaros.

“Em 20 anos, perdemos a metade dos pássaros que se reproduzem nas zonas agrícolas. Esse declínio aconteceu, principalmente, por causa da intensificação das práticas agrícolas, com as mais variadas consequências”, explica Christophe Luczac, pesquisador da Universidade de Lille 1 e integrante do Grupo Ornitológico do Norte (GON), responsável pelo levantamento. “Os arbustos estão sendo eliminados e, com eles, os habitats potenciais para a reprodução dos pássaros. Os campos se transformam em terras de cultivo, ao mesmo tempo em que o uso de agrotóxicos e herbicidas diminuiu as suas fontes alimentares.”

Biodiversidade em risco

Ou seja, muitas espécies estão morrendo de fome. Para outras, o ambiente para a reprodução está tão alterado que as taxas de natalidade desabaram. O estudo constatou que as populações de 24 tipos de pássaros estão em forte declínio, 14 permanecem estáveis e 17 aumentaram.  

“As espécies que estão aumentando são as que chamamos de generalistas, como o chapim-azul e o champim-real, o melro-preto e o tentilhão, todos comuns na Europa. São espécies capazes de se adaptar a todas as modificações dos habitats”, esclarece. “A longo prazo, o maior risco é que tenhamos os mesmos pássaros, qualquer seja o lugar e o habitat, ou seja, uma banalização da biodiversidade. E o pior é que vai ocorrer um empobrecimento das funções ecológicas dos pássaros. Cada espécie tinha uma função ecológica no ecossistema que não será substituída.”

O tentilhão-comum (Fringilla coelebs) é uma das espécies que resistem bem à ampliação das terras agrícolas. Andreas Trepte

Em maior ou menor escala, o problema se repete em toda a França e em outros países com forte produção agrícola. Romain Julliard, pesquisador sobre biodiversidade e professor de ecologia do Museu Nacional de História Natural, de Paris, constata que a simples diversificação de culturas já faz toda a diferença para a sobrevivência dos pássaros.

“Em todas as regiões onde há agricultura intensiva, em especial monocultura, o declínio de pássaros é alto. Por exemplo, até na viticultura ou na arboricultura intensiva, temos quedas fortes das populações”, observa Julliard. “Os lugares que resistem melhor são os campos diversificados, com policultura e pecuária, onde temos um mosaico de vegetações diferentes.”

Diminuição dos insetos, um efeito em cadeia

Outro vilão incontornável dos pássaros - mas não apenas deles -, são os agrotóxicos. Os produtos químicos para eliminar ervas indesejáveis e insetos atingem diretamente a biodiversidade como um todo, em especial os neonicotinoides, apontados pelos cientistas como os responsáveis pelo desaparecimento em curso das abelhas. Julliard destaca que a ação deste agente químico perdura na natureza – os insetos simplesmente param de se multiplicar e participar do ecossistema.

“Começa a ficar cada vez mais claro que temos um enorme problema envolvendo os neonicotinoides, que os apicultores nos alertam há mais de 10 anos. Temos cada vez mais evidências de que estamos diante de um desastre semelhante ao uso do tóxico DDT nos anos 1960. Estamos chegando a uma situação de envenenamento massivo dos insetos”, afirma o pesquisador do Museu Nacional de História Natural. “O problema é que, ainda hoje, é muito difícil de demonstrar e provar a relação de causa e efeito – e a diminuição do uso de agrotóxicos é uma etapa obrigatória para enfrentar a queda da biodiversidade.”

Os pesquisadores alertam que os cidadãos comuns têm um papel essencial no combate ao problema, ao preferirem alimentos cultivados por produtores preocupados com os efeitos da agricultura na natureza. Os orgânicos podem ser mais caros, mas reduzem significativamente a destruição do meio ambiente, garantem.


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