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Europa

Deputada censurada por “discurso de ódio” gera controvérsia na Alemanha

media "Muçulmanos bárbaros e estupradores", tuitou a deputada da extrema-direita Beatrix von Storch. REUTERS/Hannibal Hanschke

Uma polêmica tomou conta da Alemanha nesta terça-feira (2) por causa da retirada das redes sociais, em função de uma nova lei, de uma mensagem de uma deputada do partido de extrema-direita, o Alternativa para Alemanha (AfD), contra os refugiados.

Em uma mensagem divulgada no Twitter e no Facebook, a deputa queixou-se de que a polícia de Colônia postou mensagens de prudência, em alemão e em árabe, durante as celebrações do Réveillon, destinadas à população.

"Que diabos se passa neste país? Por que a polícia publica agora mensagens oficiais em árabe?", publicou Beatrix von Storch. "Agora se dirige às hordas de homens bárbaros, muçulmanos e estupradores para tentar agradá-los?", questionou.

A deputada fazia alusão às agressões sexuais de que foram vítimas inúmeras mulheres em Colônia, durante o Réveillon de 2016, por parte de jovens migrantes, um caso que escandalizou o país.

Um porta-voz da polícia de Colônia, que apresentou a denúncia, afirmou que a deputada do AfD, Beatrix von Storch, é potencialmente culpada do delito de "incitação ao ódio".

A promotoria da cidade também indicou ter recebido centenas de denúncias de particulares por causa do mesmo tema.

Mensagem suspensa

Tanto o Twitter como o Facebook retiraram a controvertida mensagem em função de uma nova lei, em vigor a partir de Primeiro de janeiro na Alemanha, que busca punir com maior rigor as declarações que incitam ao ódio nas redes sociais.

O vice-presidente da AfD, Alexander Gauland, criticou uma "legislação liberticida" e Beatrix von Storch denunciou "o fim do Estado de direito na Alemanha".

O AfD registrou uma série de sucessos eleitorais na Alemanha desde a chegada de mais de um milhão de requerentes de asilo em 2015, especialmente da Síria.

Falsos menores?

A Ordem dos Médicos na Alemanha rejeitou nesta terça-feira as chamadas de vários políticos para introduzir exames médicos obrigatórios aos jovens requerentes de asilo para verificar a idade, em caso de dúvida, e evitar fraudes.

"Se realizarmos esse processo em cada refugiado, será um ataque à dignidade humana", reagiu o presidente da Ordem ao jornal Süddeutsche Zeitung. "Radiografias sem prescrição médica são um ataque à integridade física das pessoas", acrescentou.

O debate foi lançado após a morte, na semana passada, de uma garota de 15 anos, que foi esfaqueada por um refugiado afegão da mesma idade em uma farmácia em Kandel, na Renânia-Palatinado, no sudoeste do país.

O autor do ataque era seu ex-namorado, de acordo com a imprensa alemã. O pai da vítima estimou que sua idade era significativamente maior do que a que consta em seu documento. O direito de asilo oferece maior proteção aos menores de idade.

Vários políticos, particularmente da família política da chanceler Angela Merkel, pediram a introdução de tais testes para todos os refugiados cujas idades declaradas levantem dúvidas.

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