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Europa

Milagre econômico português leva ministro à presidência do Eurogrupo

media Mário Centeno: de ministro das Finanças de Portugal a presidente do Eurogrupo. REUTERS/Yves Herman

O português Mário Centeno, eleito nesta segunda-feira (4) presidente do Eurogrupo, demonstrou seu valor dentro de um governo socialista que presume ter sabido conciliar crescimento e disciplina orçamentária.

As qualidades deste professor de Economia de 50 anos, um homem "culturalmente de esquerda", mas muitas vezes chamado de liberal, já foram aplaudidas pelo ex-ministro alemão das Finanças Wolfgang Schäuble, líder da ortodoxia financeira europeia, que o descrevia em maio como "o Cristiano Ronaldo do Ecofin", o Conselho de Assuntos Econômicos e Financeiros da Europa.

A brincadeira, amplamente retomada pelos meios de comunicação, contribui para transformá-lo no rosto da recuperação econômica de Portugal, um dos elos fracos da zona do euro que teve que recorrer a um resgate internacional para superar a crise da dívida.

Dois anos depois da chegada dos socialistas ao poder, graças a uma aliança inédita com a esquerda radical, o país apresenta o déficit público em seu nível mais baixo em 43 anos de democracia, seu maior crescimento desde 2000 e uma taxa de desemprego que voltou ao nível pré-crise.

"A experiência recente de Portugal mostra que é possível na Europa conciliar objetivos de ajuste orçamentário e de crescimento", afirmou Centeno na quinta-feira, anunciando sua candidatura para suceder o holandês Jeroen Dijsselbloem.

“Contribuir para o consenso”

O Eurogrupo é a reunião mensal dos ministros das Finanças dos estados-membros da Zona do Euro, moeda única de dezenove países da União Europeia, que trata de coordenar a sua política econômica.

Como presidente do Eurogrupo, Centeno espera "contribuir para a criação dos consensos necessários para completar a União Econômica e Monetária" e fazer do euro "um instrumento de promoção da convergência econômica e social".

Micro versus macroeconomia

Filho de um funcionário de banco e de uma funcionária dos correios, este fã de rúgbi e de gastronomia cresceu na região de Algarve (sul de Portugal) antes de se mudar para Lisboa aos 15 anos para estudar.

Formado na prestigiosa Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, este homem de cabelo grisalho e olheiras acentuadas admite que os anos de formação, durante os quais se interessou pela microeconomia, o marcaram.

"Me tornei muito mais sensível às relações entre a economia e as pessoas", explica. "Às vezes, a macroeconomia esquece que há pessoas do outro lado", afirma.

De volta a Lisboa, com sua esposa e seus três filhos, passou a trabalhar como economista no Banco de Portugal, onde se tornaria subdiretor do Departamento de Estudos Econômicos.

"Era um jovem tranquilo, afável, inteligente e tecnicamente bem preparado", lembra Luís Campos e Cunha, ex-vice-governador do Banco Central.

Ideologia “de fusão”

Nada o predestinava a uma carreira política até que o atual primeiro-ministro, António Costa, pediu que redigisse o programa econômico do Partido Socialista e se apresentasse às eleições legislativas de 2015, algo que fez sem renunciar à sua posição de independência.

Completamente desconhecido pelo público quando entrou no governo, Centeno era considerado um liberal nos círculos acadêmicos, devido aos seus posicionamentos favoráveis a uma maior flexibilidade do mercado de trabalho.

Mas ele se recusa a se posicionar nas divisões ideológicas tradicionais e advoga por um pensamento econômico "de fusão".

"A única coisa que me define é a minha família e o Benfica", o time de futebol mais popular de Portugal, brinca.

Centeno, conciliador e pragmático, abandonou, por exemplo, a ideia de um contrato único, uma das medidas emblemáticas que recomendava para combater a precariedade nos empregos, a fim de não ofender os partidos de esquerda antiliberais, dos quais depende a sobrevivência do governo.

Capaz de corrigir rapidamente a sua falta de experiência política, tornou-se um dos pilares do governo ao se mostrar capaz de reduzir os déficits enquanto "virava a página" da austeridade imposta pelo governo anterior, de direita.

(Com agência AFP)

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