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Europa

Últimato: UE dá duas semanas a Londres para destravar negociações do Brexit

media O encarregado britânico do Brexit, David Davis, durante coletiva de imprensa em Bruxelas (10/11/17). REUTERS/Eric Vidal

A União Europeia concedeu, nesta sexta-feira (10), duas semanas ao Reino Unido para esclarecer seus compromissos, sobretudo financeiros, nas negociações do Brexit, ao fim da sexta sessão de negociações, que não permitiu nenhum avanço decisivo para organizar sua separação.

As discussões, que duraram apenas um dia e meio, em Bruxelas, na verdade revelaram um novo ponto polêmico acerca da Irlanda. Londres e Bruxelas divergem radicalmente sobre como evitar o retorno de uma fronteira "dura".

O negociador-chefe da UE, Michel Barnier, confirmou que os europeus estão exigindo respostas urgentes, com compromissos "claros e sinceros" do governo britânico.

Aspecto comercial

Só depois das duas semanas os europeus poderão entrar na segunda fase das negociações numa cúpula da UE prevista para 14 e 15 de dezembro. Ao contrário da fase atual, ela vai incluir o relacionamento futuro com Londres, que está impaciente para começar as negociações comerciais do período pós-Brexit.
  
"Devemos avançar para passar às discussões sobre nossa futura relação", declarou o ministro britânico encarregado do Brexit, David Davis. Mas antes é preciso encontrar "um acordo sobre essa sequência da saída ordenada do Reino Unido; é a nossa prioridade absoluta", insistiu Barnier.

Quem paga a conta?

Para os 27, os três assuntos básicos incluem a questão espinhosa da fatura Brexit, ou seja, o saldo dos compromissos do Reino Unido na União, da qual é membro há mais de 40 anos.

O presidente do parlamento europeu, Antonio Tajani, recentemente afirmou que a fatura ficaria em torno de €50 bilhões ou €60 bilhões, confirmando pela primeira vez estimativas oficiais que circulam em Bruxelas e desprezando "os trocados" propostos por Londres.

Além da fatura, a UE também quer "avanços suficientes" sobre a questão dos direitos dos europeus que vivem no Reino Unidos após o Brexit e sobre as consequências do divórcio na fronteira entre a Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte. Esse último item parece ser fonte de tensão entre Londres e os 27, apesar de as duas partes concordarem em que não haja retorno de uma fronteira "dura".

Questão irlandesa

Num documento interno, a UE apoia a visão de Dublim, que acredita que a província britânica da Irlanda do Norte deve continuar a aplicar as regras do mercado único europeu e da união aduaneira da UE para evitar a volta dos postos de fronteira e preservar o acordo de paz de 1998, que deu fim a 30 anos de guerra civil.

"A melhor solução seria que o Reino Unido permanecesse na união aduaneira e no mercado único, mas, no fim das contas, é uma decisão do Reino Unido", comentou um porta-voz do governo irlandês.
  
"Nós reconhecemos a necessidade de soluções específicas para as circunstâncias únicas da Irlanda do Norte", admitiu Davis na coletiva de imprensa conjunta com Barnier em Bruxelas.

Mas "isso não pode voltar à criação de uma nova fronteira no Reino Unido", ou seja, entre a província britânica da Irlanda do Norte e o resto do reino, insistiu, retomando a ideia de que a Irlanda do Norte poderia permanecer na união aduaneira da UE.

"O Reino Unido decidiu deixar o bloco há mais de 500 dias. Ele deixará a UE em 29 de março de 2019, à meia-noite do horário de Bruxelas", afirmou o negociador da UE, Barnier, para enfatizar a urgência na organização do divórcio.

 

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