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Europa

Corte constitucional da Espanha anula independência da Catalunha

media Greve atinge transportes na Espanha, mesmo dia em que a Corte Constitucional espanhola anula a declaração de independência da Catalunha, em 8 de novembro de 2017. REUTERS/Reuters TV

A Corte Constitucional espanhola anunciou nesta quarta-feira (8) que anulou a declaração unilateral de independência da Catalunha, adotada em 27 de outubro pelo Parlamento regional, em Barcelona. Com cartazes e aos gritos de "liberdade", os separatistas catalães bloquearam estradas, ruas e linhas férreas, também nesta quarta-feira, em protesto contra a prisão de seus líderes, em um dia de greve geral.  

O líder dos separatistas, o ex-presidente regional Carles Puigdemont, encontra-se desde 30 de outubro em Bruxelas com mais quatro membros de seu governo, após ter sido destituído pelo governo espanhol do premiê conservador Mariano Rajoy, que agora controla a administração regional da Catalunha. Os demais líderes estão em prisão preventiva, investigados pelos crimes de rebelião, sedição e desvio de dinheiro público.

As mesmas acusações pesam sobre Puigdemont e seus companheiros em Bruxelas, que aguardam a decisão da Justiça belga sobre a extradição solicitada pela justiça espanhola.

No Congresso de Madri, Rajoy afirmou que "as coisas estão funcionando bem" e se mostrou esperançoso quanto as eleições convocadas para o dia 21 de dezembro. O premiê espanhol espera que o pleito sirva "para abrir uma nova fase política, que necessariamente deve ser uma etapa de tranquilidade, normalidade, de convivência". As pesquisas apontam um resultado similar ao das eleições de 2015, quando os separatistas conquistaram a maioria dos assentos, mas não de votos.

Greve não teve adesão esperada

Convocada pelas associações e um sindicato separatistas, a greve visava paralisar a Catalunha, que reúne um quinto da riqueza do país, em protesto contra a prisão de vários líderes e contra a intervenção de Madri na autonomia catalã. Os grevistas concentram sua ação nos transportes, bloqueando 60 pontos da malha rodoviária, incluindo as duas principais autoestradas que ligam a região com a França e Madri, e os principais acessos à Barcelona, informou o serviço de tráfego regional.

A circulação de trens de alta velocidade entre Barcelona e a França também foi suspensa, depois que um grupo de manifestantes com bandeiras separatistas invadiu a vias férreas da estação de Girona, aos gritos de "liberdade, liberdade!".

Outro grupo de manifestantes forçou o fechamento da principal atração turística da cidade, a basílica da Sagrada Família. Nas portas da igreja colaram um enorme cartaz com a mensagem: "A repressão não é uma solução" em inglês.

A greve foi convocada pelo sindicato separatista CSC pouco depois da decisão da Audiência Nacional de Madri de prender oito líderes regionais destituídos, mas não conta com o apoio dos principais sindicatos. O setor da educação foi o que mais aderiu à greve, uma vez que seu principal sindicato expressou publicamente apoio à mobilização.

Diferente da paralisação geral de 3 de outubro, convocada em protesto pela violência policial durante o referendo de independência do dia 1º, a maioria dos mercados, lojas e restaurantes de Barcelona abriram suas portas e as fábricas da região funcionaram normalmente nesta quarta-feira.

"A adesão à greve foi mínima na prática em todos os setores, menos no da educação", assegurou em Barcelona Juan Antonio Puigserver, secretário do ministério do Interior espanhol.

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