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Europa

“Podem ter colocado em perigo a estabilidade do país”, diz rei da Espanha sobre referendo

media O rei da Espanha, Felipe VI, durante discurso difundido pela televisão espanhola em 3 de outubro de 2017. Casa de SM El Rey/Francisco Gomez Handout via REUTERS

O rei da Espanha, Filipe VI, afirmou nesta terça-feira (3) que o Estado deve "assegurar a ordem constitucional" na Catalunha, após o referendo separatista realizado no domingo (1) apesar da proibição da Justiça espanhola.

"Diante desta situação de extrema gravidade, é responsabilidade dos legítimos poderes do Estado assegurar a ordem constitucional e o normal funcionamento das instituições", ressaltou o rei da Espanha, Filipe VI em um discurso televisionado nesta terça-feira (3).

O monarca espanhol acusou ainda os líderes da Catalunha de atuarem "totalmente à margem do direito e da democracia", dois dias após a realização do referendo de independência da região, em clara desobediência às ordens da Justiça do país.

"Com suas decisões, [os catalães] violaram de forma sistemática as normas aprovadas legal e legitimamente, demostrando uma deslealdade inadmissível em relação aos poderes do Estado", declarou o rei. "Com uma conduta irresponsável, podem ter colocado em perigo a estabilidade da Espanha e de toda a Europa", ressaltou o monarca.

700 mil marcham contra violência na Catalunha

O breve discurso real, considerado pela imprensa europeia de uma “firmeza sem precedentes”, foi o ponto culminante de um dia marcado por manifestações em massa na Catalunha, onde os principais sindicatos pediram uma greve geral.

Centenas de milhares de pessoas foram mobilizadas durante manifestações de estudantes, bombeiros ou cidadãos comuns que ficaram indignados com a violência usada pela Polícia Nacional e pela Guarda Civil contra os manifestantes no domingo.

De acordo com a polícia local, cerca de 700 mil pessoas se manifestaram em vários desfiles em Barcelona e novas manifestações tiveram início à noite. "Fora forças de ocupação!", "As ruas serão sempre nossas!": as principais avenidas de Barcelona ressoaram com slogans hostis à Polícia Nacional e à Guarda Civil espanhola, ambos enviados por Madri.

No final do dia, no famoso Paseo de Gracia, no centro, dezenas de milhares de pessoas se reuniram ao som de fanfarras, panelas e do hino nacionalista "L'estaca". "Vejam, não haverá volta", disse Miriam Lao, 35 anos.

Milhares de manifestantes se dirigiram para a sede da polícia nacional, mas foram bloqueados por vans dos agentes de segurança, que impediram que se aproximassem do prédio. "Este edifício será uma biblioteca", gritaram vozes dentro da multidão, numa reação ao bloqueio policial.

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