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Partidos extremistas na Alemanha são mais fracos que nos países vizinhos

Partidos extremistas na Alemanha são mais fracos que nos países vizinhos
 
A chanceler alemã Angela Merkel, que venceu as eleições legislativas de domingo, mas saiu enfraquecida das urnas, começou nesta segunda-feira a buscar aliados para formar o governo. REUTERS/Kai Pfaffenbach

Anticlímax anunciado: Angela Merkel e seu partido conservador – a CDU/CSU – venceram as eleições legislativas na Alemanha. Ganharam mas não esmagaram. Os conservadores continuam sendo – e de longe – a maior força política do país, mas perderam oito pontos. Mais preocupante: pela primeira vez na história da República federal, um partido nacionalista e xenófobo, o AfD, vai sentar no Bundestag, o parlamento alemão.

Além disso, o parceiro da chanceler na coalizão governamental, o Partido Socialista (SPD), teve o pior resultado eleitoral desde o final da Segunda Guerra mundial. E já anunciou que não pretende participar no próximo governo. Tudo isso complica a tarefa de Merkel. A mulher política mais poderosa do planeta vai ter que suar a camisa para montar uma coalizão majoritária na Câmara com os dois outros pequenos partidos democráticos: os liberais do FDP e os Verdes.

Mas não exagerar. Os problemas são compensados por vários pontos positivos para a chanceler. Angela Merkel foi eleita para um quarto mandato. Um recorde na história alemã, só ultrapassado por Bismark no século XIX. E isso depois de doze anos de poder e tendo que administrar pesados desafios como a crise econômica europeia e sobretudo a decisão de acolher um milhão de refugiados do Oriente Médio. Essa política extraordinariamente acolhedora, plebiscitada por uma maioria da população alemã, também criou tensões internas aproveitadas pelo AfD.

Mas o bom desempenho eleitoral do partido xenófobo (13% dos votos) está longe dos resultados de seus semelhantes na França, na Holanda, na Áustria ou na Hungria. É claro que quando se fala de extrema-direita na Alemanha, todo mundo pensa no passado nazista. Mas na verdade o país está simplesmente se tornando um outro Estado europeu “normal”, num momento histórico em que uma parte dos eleitores no Velho Continente está descambando para movimentos extremistas, de direita ou de esquerda.

A diferença é que na Alemanha esses partidos extremistas são bem mais fracos do que nos países vizinhos e que, justamente por causa do passado, uma boa parte da população não tolera nenhuma conivência com os movimentos xenófobos e chauvinistas. Basta ver as manifestações imediatas contra a chegada do AfD no Bundestag.

Os alemães decidiram manter no poder uma chanceler que presidiu um período de grande estabilidade e sucesso econômico. A Alemanha é a grande locomotiva econômica da Europa. E mesmo sem querer tornou-se o líder de fato da União Europeia num momento particularmente desafiador, com a saída da Grã-Bretanha – o Brexit –, a eleição de Donald Trump – o presidente americano mais hostil à Europa desde a última guerra mundial –, o aventureirismo guerreiro de Vladimir Putin nas fronteiras da Europa do Leste e o terrorismo islâmico.

Merkel é a encarnação do pragmatismo. Nada de grandes ideologias ou projetos políticos e sociais mirabolantes. A chanceler se contenta em administrar os problemas quando aparecem, com mão segura, sem histerias e proclamações pomposas. E os alemães, que já sofreram muitas reviravoltas trágicas na história, gostam disso.

Claro, não vai ser fácil negociar uma coalizão de governo e os resultados eleitorais podem criar instabilidade. Mas a questão não é tanto interna. O grande sucesso alemão dos últimos anos depende diretamente da boa saúde econômica e política da Europa. Merkel sabe perfeitamente que é necessário uma maior integração europeia. E que isso só é possível em estreita parceria com a França.

O presidente francês Emmanuel Macron já anunciou que está disposto, propondo reforçar as instituições comuns da zona euro e criar uma verdadeira política de defesa europeia. Só que os liberais do FDP não querem saber de partilhar os riscos econômicos com o resto da Europa e que os Verdes, pró-europeus, recusam qualquer ideia de aumentar e coordenar as capacidades de defesa da União Europeia. Angela Merkel venceu, mas vai levar meses para formar um governo. A Europa e o resto do mundo vão ter que esperar.

*Alfredo Valladão, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, faz uma crônica de política internacional às segundas-feiras para a RFI


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