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Espanha detém membros do governo da Catalunha que preparam referendo

Espanha detém membros do governo da Catalunha que preparam referendo
 
A detenção do secretário da Economia da Catalunha levou centenas de militantes pró-independência a protestar diante do prédio da secretaria, em Barcelona. REUTERS/Albert Gea

A guarda civil espanhola prendeu nesta quarta-feira (20) 13 membros do executivo da Catalunha encarregados de preparar o referendo sobre a independência da região, marcado para 1° de outubro. O secretário da Economia catalão, Josep María Jové, braço direito do vice-presidente da região, Oriol Junqueras, está entre os detidos.

Luisa Belchior, correspondente da RFI em Madri

A pouco mais de uma semana da data marcada pela Catalunha para realizar um referendo de independência, as relações do governo local com o espanhol estão em grau máximo de tensão. Há duas semanas, a Justiça proibiu a consulta, a partir de uma denúncia impulsionada pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy.

A operação policial desta quarta-feira envolveu as secretarias da Economia, do Interior e das Relações Exteriores da Catalunha, a sede do Tesouro catalão e o Centro de Telecomunicações e de Tecnologia da Informação da região autônoma.

Na semana passada, o Ministério Público denunciou por desobediência civil todos os cerca de 500 prefeitos de municípios catalães que declararam a intenção de realizar o referendo. Após as detenções de hoje, Barcelona convocou um protesto. Por outro lado, Rajoy alegou que está apenas cumprindo ordens judiciais.

Queda de braço entre Madri e Barcelona acirra os ânimos

Apesar da suspensão judicial, o governo catalão mantém o plebiscito e segue publicando diariamente no Diário Oficial da região a convocatória para a votação de 1º de outubro. O presidente da Catalunha, Carles Puidgemont, já afirmou que o resultado será vinculante. Ou seja, caso o "sim" ganhe, seu governo poderá convocar a independência dessa região da Espanha em até 48 horas. Essa ameaça abriu um intenso conflito político e judicial que se agrava a cada dia.

O governo central de Madri utiliza todos os recursos legais e políticos possíveis para impedir a votação. Na terca-feira (19), prefeitos da Catalunha começaram a prestar depoimento à Justiça. Além deles, o presidente da Catalunha e toda a sua cúpula foram indiciados por desobediência e malversação. Na semana passada, a Justiça ordenou uma operação de busca e apreensão na gráfica que ia imprimir as cédulas de votação.

Exército poderá intervir na votação

A Justiça deu uma ordem à polícia local para prender qualquer pessoa que esteja realizando a consulta pública no dia 1º de outubro. O corpo policial catalão, chamado Mossos D'Esquadra, tem muitos membros favoráveis à independência, mas seu diretor-geral disse que vai acatar a ordem. Mesmo assim, há a possibilidade de que o Exército tenha que intervir nas cidades catalãs no dia do plebiscito, porque, até a manhã de quarta-feira, o presidente catalão seguia afirmando que a realização do referendo está mantida.

As pesquisas mostram uma situação de empate, algumas delas com uma ligeira vantagem para o "sim", ou seja, pela separação. Caso isso aconteça, a Catalunha já tem pronta uma espécie mini Constituição. Aprovada no início de setembro pelo Parlamento local, o texto estabelece normas para os primeiros meses de uma suposta Catalunha independente, como a absorção dos funcionários públicos estatais, a adoção de três idiomas oficiais e a definição de quem terá nacionalidade catalã. Determina também que o presidente catalão indicará o nome do presidente do Tribunal Supremo e do procurador-geral da região.

O governo catalão diz se tratar de um processo democrático que Madri tenta impedir por medo do resultado. Mas o governo central se baseia no argumento de que, pela Constituição Espanhola, apenas o chefe de governo do país pode convocar um referendo. A legislação nacional impede que isso seja feito por um governo regional.


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